The Most Beautiful Moment in Life: Acervo II

A Mais Improvável e Admirável Amizade na Vida 

Equipe: Prateleira 
Colaboradora: Mariana Mathias 
Revisão: Lale e Rafaela

Os três mosqueteiros, embora na narrativa sejam quatro, é um clássico que ilustra o valor da amizade entre homens singulares que embarcam em majestosas, e um tanto cômicas,  aventuras juntos.  A obra de Alexandre Dumas foi publicada em 1844 como folhetim e, desde então, já foi adaptado em diversas criações como cinematográficas, literárias e cênicas, transpassando gerações tornando-se elemento literário cultural. 

Figura 1 – Capa do livro – ed. Zahar – 2011

A narrativa ocorre em meio as glamurosas e perigosas relações políticas e amorosas do século XVII. O autor descreve aventuras encantadoras e surpreendentes que é composta por uma mistura entre personagens fictícios e reais da monarquia europeia. 

A narrativa é organizada por aventuras dos cavaleiros, logo, não precipite-se pensando que é uma história com início, meio e fim determinados. Sendo assim, Dumas descreve uma história tão coesa que você não esquece de detalhe algum, já que o autor caracteriza seus personagens e espaços de forma significativa e singular. Desta forma,  são apresentados personagens inesquecíveis como o heróico D’Artagnan, o misterioso Athos, assim como o vaidoso Porthos e o habilidoso Aramis. A história desses quatro mosqueteiros lhe transporta para a Paris do século XVII, tal como ilustra o significado da divisa “Um por todos, e todos por um”, (Dumas, 2011, p.89).

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A série de aventuras dos mosqueteiros tem seu primórdio com o jovem D’Artagnan em busca de seu sonho: tornar-se um mosqueteiro como seu pai uma vez já fora. Desta forma, seu pai ensina sobre honra, bravura e, também, como empunhar uma espada, algo que D’Artagnan filho aprendeu muito bem. Logo, ao jovem rapaz chegar em sua juventude, D’Artagnan pai presenteia seu filho com três presentes: um cavalo, uma espada e uma carta de recomendação ao comandante da guarda dos Mosqueteiros. Assim, o jovem D’Artagnan inicia sua aventura rumo a Paris a fim de realizar seu precioso sonho. 

Jovem, destemido, sonhador e perspicaz, D’Artagnan chegando a grandiosa Paris, tem sua carta de recomendação confiscada por dois agentes do Cardeal Richelieu, o primeiro-ministro. Assim, sem conhecer a capital francesa e sequer algum ser, o jovem decide localizar antigos amigos de seu pai, os quais sabia somente seus nome. Em meio a busca, o sonhador rapaz vai às barrancas do rio e protagoniza uma cena cômica, se não fosse resultar no princípio de uma tragédia. O menino esbarra em um homem, empurra outro, pisa no pé de um terceiro irritando-os. Toda essa trapalhada caminhada resulta em um duelo contra cada um desses homens atrás de uma igreja no final da tarde. Porém, o que o jovem não sabia é que os três homens eram mosqueteiros e mais conhecidos como “os inseparáveis”. 

Após, os duelos terem sido marcados, o corajoso menino, sem portar sua carta, decide apresentar-se ao Monsieur de Tréville, capitão dos Mosqueteiros do Rei. Após sua apresentação, o rapaz caminha rumo à batalha e chegando ao local, encontra os três homens esperando-o para começar a batalha. Porém, o que surpreendeu os três homens é que cada um pensava que lutariam com uma pessoa diferente, não esperavam lutar com a mesma pessoa. Ao ter essa surpresa, eles começam uma batalha, mas são interrompidos quando os guardas do Cardeal chegam. No entanto, eles pensaram que os guardas foram até ali para evitar que aquela luta acontecesse, mas os guardas começaram a lutar entre eles, pois esses e os mosqueteiros tinham uma rixa política. Ao estar envolvido naquela cena, D’Artagnan decide ajudar os três homens vencendo os guardas. Vitoriosos, os três homens ficam admirados com a habilidade do jovem rapaz e, assim, surge a amizade entre D’Artagnan, Aramis, Porthos e Athos. 

Aramis é um habilidoso e admirável mosquiteiro, assim como seria um padre; ele ambiciona ter carreira na igreja, apesar de ter um ponto de vista liberal que contraria os dogmas religiosos. Também, há Porthos, o talentoso e sedutor mosqueteiro, uma vez que é conhecido por conquistar inúmeras mulheres e deter uma beleza magnífica. Porém, o mesmo não detêm inteligência alguma  que o torna ponto cômico da história. Bem como, temos o corajoso e ágil Athos que é o mais velho dentre os três e detém uma interessante e sombria história de vida, tal como segredos e um vício. 

Figura 2 – A vingança de Milady – 1974
Fonte: TMDB, 2020

Após a vitoriosa batalha, a amizade dos quatro homens se torna evidente e, então, começamos a acompanhá-los em suas aventuras. Ao longo da história dos guerreiros, eles solucionam conflitos e travam lutas as quais podemos observar que estão conectados pelas artimanhas de um dos agentes que confiscaram a carta de recomendação de D’Artagnan: Milady de Winter.  

A Milady de Winter é extremamente inteligente, bem como detentora de uma beleza estupenda que a personagem utiliza para seduzir e manipular qualquer pessoa que pudesse realizar seus planos e intrigas. A Milady acredita que sua beleza permite-a desempenhar atos e arquitetar planos caliginosos, uma vez que ninguém poderia julgá-la e relacioná-la a atos tão vis, em virtude de sua graça.  Ao decorrer das aventuras dos corajosos militares, surge um boato de que poderia ocasionar mortes, assim como guerras. 

Na corte, havia o boato de que rainha Ana da Áustria, esposa do rei Luís XIII da França, estava vivendo um intenso romance com o duque de Buckingham da Inglaterra. Em certa ocasião, rainha Ana recebe um presente de seu esposo: uma jóia composta por pedras de diamante. No entanto, ela decide presentear o duque com a jóia, mas o Cardeal Richelieu descobre e decide utilizar esta informação contra a rainha francesa. O Cardeal, amigo de rei Luís XIII, sugere que rainha Ana vestisse a jóia que ele dera de presente à ela no grande baile real. O rei francês reflete sobre a sugestão e pede a sua amada que vista tal jóia, assim a rainha promete que vestirá. Contudo, a rainha não tem a peça em sua posse, logo, a fim de não sofrer más consequências, ordena aos quatro amigos mosqueteiros que recuperem a jóia. 

D’Artagnan, Aramis, Porthos e Athos rumam à Inglaterra em busca da jóia. Chegando em terras inglesas, os mosqueteiros se aventuram até conseguir contato com o duque de Buckingham. Uma vez que conseguem resgatar a jóia, eles percebem que está faltando algumas pedras de diamantes e indagam ao duque, que responde afirmando que havia recebido a peça deste jeito. Logo, a fim de solucionarem o problema, eles levam a peça ao joalheiro que conserta-a  adicionando as pedras de diamantes. Desta forma, os mosqueteiros devolvem a jóia a rainha que consegue vesti-la para o grande baile. Apesar do desfecho positivo desta aventura para tanto a rainha quanto para os mosqueteiros, há um detalhe que eles se atentaram: quem usurpou os diamantes? 

Assim como esta peripécia, recorrentemente, há perguntas e pistas nos desfechos das aventuras que propiciam curiosidades e, também, outras aventuras aos corajosos amigos. A narrativa nos descreve suas relações entre uma aventura ou outra, o autor detalha momentos os quais valores como a amizade,  a união, o respeito e o companheirismo são testadas entre eles, bem como o quão diferentes são os quatro homens. É notável que essas singularidades entre eles  desempenham um importante pilar no relacionamento deles, porque são tais distinções que unem-os e tornam sucedidas suas aventuras. Assim, suas peripécias somente são vitoriosas, porque eles estão juntos. 

Figura 3 – Pôster da peça “Os Três Mosqueteiros”
Fonte – Boston on budget, 2020

Lendo a narrativa dos amigos, podemos conhecer a história de cada um, bem como seus segredos e sentimentos em relação uns aos outros. Tal como, inúmeras outras aventuras que esses mosqueteiros vivem juntos e o quão essencial é a presença de cada um em cada passo que caminham em suas histórias. Ao final da narrativa não encontramos um final determinado, o autor nos descreve os futuros passos, decisões e aventuras de D’Artagnan, Aramis, Porthos e Athos e sua amizade. 

Mas o que isso tem a ver com o BTS?  

As obras “The Most Beautiful Moment In Life: 花樣年華” (Hangul: 화양연화; Romanizado: hwayang-yeonhwa pt.1) e “Youth” do grupo BTS foi lançado em 29 de abril de 2015 e 7 de setembro de 2016, respectivamente. Ambos os álbuns descrevem ideias sobre a juventude e sonhos, tal como os valores da amizade e união. Uma vez que é trabalhado estas ideias e valores, o grupo decide revelar momentos e mudanças positivas e esperançosas, bem como negativas e angustiantes que compõe a juventude.

figura 4 – I need you 화양연화 pt.1 ‘I NEED U’ Sketch photo
Fonte: Facebook, 2020

Um dos pilares que nos moldam é o da amizade e isto é presente na narrativa do BTS como grupo e em suas canções como “이사 (Moving On)” e “Good day” dos álbuns “The Most Beautiful Moment In Life: 花樣年華 pt.1” e “Youth”, respectivamente. Ambas canções nos descrevem sobre mudanças elencando descobertas, ambições e o amadurecimento que os membros conquistaram ao longo do tempo juntos, bem como os conflitos no primórdio de sua união e amizade. Da mesma forma, eles também cantam sobre como os sete desconhecidos tornaram-se amigos, apesar das desavenças. 

Figura 5 – I need you 화양연화 pt.1 ‘I NEED U’ Sketch photo
Fonte: Facebook – 방탄소년단 BTS, 2020

A música “이사 (Moving On)”  nos canta sobre uma mudança, seja de espaço,  seja emocional, sendo necessária para alcançar sonhos maiores, como eles cantam neste verso “Vamos nos mudar/Dar adeus à esse lugar ao qual nós nos apegamos/Vamos nos mudar (…) E eu estou olhando em frente para um mundo maior e para sonhos maiores/Um novo começo, um novo início/ Como essas coisas irão se desenrolar?” (BTS, 이사 (Moving On), 2015). A mesma mudança que ocorre com o BTS, D’Artagnan age da mesma forma mudando-se para tornar-se mosqueteiro. BTS descreve que o local onde moravam era pequeno e que estão se movendo para um local bom e maior, assim como nosso mosqueteiro que vivia no interior da França, se movendo para Paris. Podemos observar que a mudança para espaços maiores, como de um quarto para um prédio e do interior a uma capital, desempenha uma mudança significativa na vida do BTS e D’Artagnan, essa mudança marca o início de uma nova jornada na juventude de ambos. 

A canção narra as desavenças iniciais entre os membros do BTS da mesma forma que a narrativa dos mosqueteiros nos revela. Ambas histórias, tanto com os escoteiros quanto com os mosqueteiros, a amizade não nasceu de forma sensível, eles brigavam como RM então:

“ayo SUGA/ Você se lembra de três anos atrás quando nós viemos para cá pela primeira vez?/ O tempo em que o hyung e eu, de alguma forma, brigávamos/ (…)/ Nós tivemos muitos problemas / E muitas lembranças/ (…)/ Haviam muitos momentos em nós nos juntamos/ Lutar aqui mesmo, nós atingíamos e éramos atingidos muitas vezes/ Talvez por causa disso, sentimentos belos e sentimentos detestáveis/ Se acumulavam e acumulavam” (BTS,이사 (Moving On), 2015).

Ao passar do tempo e vencer dificuldades, os membros de cada grupo se uniram e construíram uma amizade sólida e singular. A amizade entre os membros do Bangtan e dos Mosqueteiros é admirável.  A partir das aventuras dos cavaleiros, é perceptível que o respeito, compreensão e companheirismo transformou a relação dos homens uns com outros, a relação deles tornou-se local de consolo, apoio e esperança como BTS canta nos versos de “Good day”

Somos praticamente família/ Como o sangue que flui através de nossos corpos/ Com o peso “elevado”, eu vou “levantá-lo”/ Rindo com os amigos até o fim de nossos pensamentos/ Meu amigo, não tenha medo/ O estilo entre aqueles que podem segurar a sua esperança é sério/ Ay, Aguarde/ Agarre minha mão/ Vamos voar! Nós no Gangnam/ Agora aplausos! O Champagne estourou/ Você pode depender de mim/ Você pode dizer: “é difícil”/ Para mim/ Você pode confiar em mim. (BTS, Good day, 2016) 

Assim como BTS, tal como os mosqueteiros, a amizade entre eles tornou-se essencial para suas vidas, aventuras e sonhos. A cada progresso que os grupos efetuam, a presença de cada membro se torna cada vez mais significativa pelas qualidades e defeitos que cada membro tem. Seria ingenuidade pensar que ambos grupos construíram suas amizades em razão suas similaridades. Cada membro de cada círculo de amizade são distintos uns dos outros; da mesma forma que cada um desempenha uma posição que o outro necessita. Logo, a beleza dessas amizades está na imperfeição de cada membro e em como eles se completam e produzem as aventuras e as obras de arte.

 Portanto, cada ser que compõe os grupos são essenciais para a harmonia e conquistas tantos dos sonhos deles quando das peripécias que eles embarcam, pois somente juntos podem vencer. Logo, da mesma maneira que Bangtan canta “Você não estará sozinho, sempre/ Eu estarei ao seu lado, nós estaremos bem/ Se estamos juntos/ Com certeza vai ser mais brilhante amanhã” (BTS, Good Day, 2016), os mosqueteiros gritam “Um por todos, e todos por um.”

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Figura 6 – BTS 2nd Anniversary Photo Album ‘Sophomore’ – Spring
Fonte: Facebook – 방탄소년단 BTS, 2020

Destarte, a amizade no arco da juventude que BTS ilustra é semelhante a dos mosqueteiros. As histórias de ambos os grupos são admiráveis pela forma como eles construíram uma amizade sólida tornando-a local de consolo, segurança, esperança e companheirismo, bem como a união que eles revelam em frente às diversidades que o mundo lhes apresentam. Assim como nas aventuras dos mosqueteiros, os escoteiros enfrentam as dificuldades com coragem, união e bravura. Tanto Bangtan quanto os mosqueteiros são grupos admiráveis que permeiam no imaginário coletivo sobre o que é amizade e união. 

REFERÊNCIAS 

  • DUMAS, Alexandre. Os Três Mosqueteiros. Ed.1º. RJ: Jorge Zahar Editor, 2011. E-pub version. 
  • Shoko Fujibayashi, ​j-hope, Matt Cab, Ryuja, RM, SUGA (BTS) & Pdogg. Intérpretes: BTS. Good Day. Seul, Coreia do Sul. PONY CANYON & BigHit Entertainment. 7/09/2016. CD. 
  • Shoko Fujibayashi, ​j-hope, Matt Cab, Ryuja, RM, SUGA (BTS) & Pdogg. Intérpretes: BTS. 이사 (/Moving On). Seul, Coreia do Sul. BigHit Entertainment. 29/04/2015. CD. 

GLOSSÁRIO

  • Caliginosos: adjetivo. Muito denso e escuro. Tenebroso.
  • Coesa: adjetivo. Ligado ou relacionado por coesão; que apresenta uma unidade lógica.
  • Graça: adjectivo. Equilíbrio e delicadeza de formas; Qualidade atrativa
  • Peripécia: substantivo. Momento que, numa narrativa, altera inesperadamente uma circunstância ou a maneira de agir dos personagens; incidente, episódio, aventura.
  • Usurpou: verbo. O mesmo que: esbulhou, espoliou, enganou, burlou, falsificou, despojou, fraudou, lesou.

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