TCC: UMA JORNADA, PARTE 3

Equipe Como Fazer

Olá, pessoal, tudo bom?

Na postagem anterior do Como Fazer, falamos sobre o trabalho com o orientador e o comprometimento com a pesquisa acadêmica, o assunto que iremos abordar desta vez tem ligação com esse comprometimento e com o que falamos sobre o orientalismo, sendo ele um dos principais inimigos dos trabalhos acadêmicos relacionados a Ásia. 

IDENTIFICANDO INIMIGOS 

Douglas Leal e Gardênia Pereira
Revisado Por: Rafaela Silva

Quando começamos  a estruturar o projeto de pesquisa, primeiro temos que definir um tema e delimitá-lo a partir do objetivo. Temos que modificar esse objetivo principal em objetivos específicos para que o transformemos  em tarefas mais simples, e assim nos organizar e estruturar um planejamento, estimando prazos e metas. Um dos principais inimigos dos estudantes é a falta de planejamento e comprometimento com prazos.  A partir disso, outros problemas surgem que comprometem o desenvolvimento do trabalho e muitas vezes são usados como a principal desculpa para justificar problemas sérios:  plágio, discursos e análises superficiais e tendenciosas, a baixa qualidade dos resultados, sendo este  o pior deles, que é justamente o principal motivo de se fazer uma pesquisa: aprender e incentivar outras pessoas a falarem sobre um assunto. 

  • Ok! Mas, como eu faço para não cometer esses erros?
  • Calma, vamos tentar simplificar para você. 

Primeiro temos que entender o que é cada um desses inimigos para identificá-los e tentar conseguir aliados que nos ajudem a fugir e corrigir esses problemas. Como podemos ver na imagem a seguir: 

  • Ciclo vicioso da Insegurança: 

A insegurança nos limita em diversas áreas de nossas vidas e ela muitas vezes é o que desencadeia diversos problemas no desenvolvimento de nossos projetos pessoais. 

A procrastinação, sobrecarga de tarefas e a perda de prazos só alimenta nossos receios e inseguranças. O principal inimigo nesse momento da produção do TCC é a falta de planejamento. Quando  você se sente perdido ou que alguma tarefa é muito difícil, a insegurança pode bater à porta, e muito provavelmente vai optar por aquilo que for mais conveniente, isso é que chamamos de: procrastinação. 

O primeiro passo, conheça seus limites e saiba qual é o seu ritmo de produção, pois criar planejamentos mirabolantes com prazos curtos, muitas vezes acabam sendo um tiro no pé.

Ao primeiro sinal de que o seu planejamento não está dando certo e você começou a se sentir inseguro, o ideal seja, que você dê dois passos atrás identificando suas questões. É claro, que suas inseguranças irão aparecer em outros momentos da sua pesquisa, isso é normal, afinal de contas, o trabalho final é um trabalho de muita responsabilidade e colocamos muitas expectativas nele. Por isso, falaremos novamente sobre isso mais para frente! 

  • Plágio: 

Para identificar esse problema precisamos entender o que é o plágio. Segundo a  Comissão de Avaliação de Casos de Autoria da Universidade Federal Fluminense:

“O plágio acadêmico se configura quando um aluno retira, seja de livros ou da Internet, ideias, conceitos ou frases de outro autor (que as formulou e as publicou), sem lhe dar o devido crédito, sem citá-lo como fonte de pesquisa.” – CACUF 2016

Sabendo disso, queremos salientar o quanto isso é sério. O plágio é crime e mesmo que você não seja processado por isso certamente você será reprovado

Já ouvimos histórias de alunos que disseram não ter a intenção de cometer plágio e colocaram a culpa no orientador por não o orientar melhor. Será que podemos relacionar esse e outros problemas com a falta de comprometimento com o que estão fazendo? 

O objetivo de uma pesquisa é ser autêntico e inovador, para resolver os problemas com referências e evitar o plágio, temos inúmeros conteúdos disponíveis sobre metodologia, referências e até mesmo como utilizar postagens em redes sociais como fontes de pesquisa. Como mencionado no post anterior o orientador está presente para lhe auxiliar, mas não é ele que vai produzir por você, tenha consciência que ao referenciar tudo aquilo que você usa para construir os seus raciocínios, além de justo é essencial para que suas conclusões sejam levadas a sério.

  • Orientalismo: 

Muitas vezes por não ter tempo ou objetivos específicos bem estabelecidos o pesquisador acaba fazendo uma pesquisa rasa e unilateral trazendo somente visões ocidentais das quais teve fácil acesso então surge um problema. O orientalismo,  segundo Said (1996), é um termo utilizado tanto para definir os estudos orientais como para designar a representação, imitação ou mistificação, segundo uma visão eurocêntrica, de determinados aspectos das culturas orientais, por parte de escritores, artistas, estudiosos ocidentais, que acabaram por convertê-los em estereótipos. 

Essa visão unilateral é tida hoje como prejudicial para as pesquisas acadêmicas, tanto por promover estereótipos irreais como impossibilitar uma confiável análise da realidade das culturas pesquisadas. 

O orientalismo, quando falamos da hallyu, traz uma visão unilateral, que peca em abordar conceitos sociais, políticos  e econômicos de um ponto de vista de quem  realmente vive aquela realidade. 

Essa questão pode, e deve, ser resolvida trazendo autores e pesquisadores coreanos para discutir os conceitos que autores ocidentais discutem, garantindo tanto a inclusão cultural, quanto apresentando parâmetros reais para construir nossos argumentos, respondendo assim, nossos objetivos de pesquisa.

Uma forma de evitar esses equívocos é, além de ter objetivos específicos bem estabelecidos, buscar autores que vivenciam a cultura estudada, para que o pesquisador não utilize somente visões ocidentais limitadas. 

  • Objetivos não cumpridos e não aprender:

Quando estabelecemos os nossos objetivos específicos pensamos como cada um  deles vai nos ajudar a cumprir um objetivo maior. Durante o processo de pesquisa, muitas vezes reestruturar esses objetivos pode ser uma tarefa constante, pelo fato de que, a medida que começamos a entender cada vez mais sobre o tema,  percebemos que alguns dos nossos objetivos podem ou não fazer sentido. Por isso, talvez sentiremos a necessidade de refazer o nosso planejamento. 

Esse é mais um processo normal, e não significa que seus objetivos não foram respondidos satisfatoriamente, só que precisam de pequenas adequações. 

Muitas vezes, pesquisadores de primeira viagem acabam mudando o tema ou as próprias hipóteses iniciais, com o intuito de encaixar os resultados obtidos de maneira que pareça que sempre esteve correto ao elaborá-las.

Isso, na maior parte das vezes, aparenta para o avaliador que o pesquisador aprendeu muito pouco com sua pesquisa. Confirmar algo óbvio serve somente para afirmar conhecimentos já existentes, o que foge do intuito do Trabalho de Conclusão de Curso, que serve tanto para iniciação científica do aluno quanto para garantir que ele aprenda e contribua com as pesquisas de outras pessoas. 

O nosso conselho em relação a isso é “Permita-se, errar” demonstrar dentro do seu trabalho que você adquiriu novos conhecimentos e abandonou crenças equivocadas,  prova o quanto a sua pesquisa foi bem feita. E assim, o resultado da sua pesquisa provavelmente será muito satisfatório.

Então agora que você está alerta para possíveis inimigos da sua produtividade e qualidade da sua pesquisa, seria ótimo você manter um caderno ou agenda  para anotar tudo relacionado ao seu trabalho de pesquisa, para sempre ter a mão o seu planejamento e conseguir se guiar melhor. 

Futuramente ensinarei algumas técnicas e trarei dicas para organizar este “diário acadêmico”, esse assunto tem muito o que ser falado e nas próximas postagens

Para finalizar, acreditamos que é sempre bom mencionar que o conteúdo do painel Como Fazer é baseado nas experiências dos membros do BAA e por isso não são uma regra e sim dicas de pessoas que já passaram pelos mesmos problemas que você possivelmente vai passar durante essa jornada,você deve procurar mais opiniões e a partir deles construir o seu próprio caminho. 

E, assim como nós do BAA, que resolvemos divulgar e incentivar a pesquisa acadêmica, divulgue o que você aprendeu nas redes sociais. Você pode ser inspiração para outras pessoas e não esqueça de nos marcar, vamos adorar ver seu processo!

Eu acho que queria fingir ser um homem forte. Agora eu não tenho que fingir, eu posso ser. Eu posso falar de mim mesmo sem ter que fingir nada.” – Jimin

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