SCHOOL TRILOGY: DEMIAN

[Colaboradora da Prateleira: M. A.]
Revisão: Mariana & Helmer

“Queria apenas tentar viver aquilo que brotava de mim mesmo. Por que isso me era tão difícil?” (HESSE, 2019, pg.7).

Figura 1 – O livro
Fonte: HESSE, 2019

A frase que inicia o livro é, possivelmente, a que o resume. Ainda que pareça pouco, à medida que aprofundamos na história de Emil Sinclair, é inevitável nos transportarmos para o sentimento de confusão no qual ele está inserido. A história narra detalhes de sua infância e seu primeiro contato com um outro mundo: o mundo sombrio das coisas proibidas.

Enquanto cresce, ele reflete sobre os sentimentos e as transformações que lhe causaram enquanto se desenvolvia. O bom menino criado em uma amorosa e simples família com valores que julgava serem morais acaba por descobrir o mundo por conta própria e, ao olhar para ele, começa a se ver com outros olhos, assim como questionar suas próprias motivações: “quem quiser nascer tem que destruir um mundo. […] Destruir no sentido de romper com o passado e as tradições já mortas, de desvincular-se do meio excessivamente cômodo e seguro da infância para a consequente dolorosa busca da própria razão de existir: ser é ousar ser” (HESSE, 2019, pg. 190).

Figura 2 – A narrativa
Fonte: DeviantArt, 2012

Logo após ter cometido o que parecia para si seu primeiro grande pecado, e se colocar em apuros, surge a figura de Max Demian. Este, que ao primeiro momento parece servir como um catalisador na vida de Sinclair, ou um divisor de águas para a noção que ele tinha sobre sua existência, tem uma figura austera a que o narrador descreve primeiramente como alguém que reflete claridade e firmeza. A princípio, Demian nos é identificado como o fim do tormento pelo qual o protagonista está passando, remetendo-nos a ter uma boa perspectiva sobre ele, embora até mesmo Sinclair tenha suas incertezas a respeito da personalidade e das intenções do rapaz.

Algum tempo depois de seu primeiro contato com Demian, Sinclair muda de escola e com isso se afasta mais do ambiente familiar e do que chama de mundo luminoso. Nessa nova fase de sua vida ele tem contato com outras personagens, que lhe influenciam a trilhar seu próprio caminho ou, ao menos, pensar sobre suas motivações, como Alfons Becks que o induz a negar o seu próprio “eu”; Beatrice, uma jovem de rara beleza por quem Sinclair passa a nutrir uma paixão platônica e é símbolo do seu despertar sexual; Pistórius, um desviado que mora na nova cidade em que Sinclair passa a viver; Knauer, que muito causa interesse quando o leitor é apresentado a ele, por conta de sua veia mística e tendências suicidas; e Eva, a mãe de Demian, que passa a ser objeto de cobiça por parte de Sinclair quando este já está em idade adulta.

O enredo, voltado puramente para os questionamentos e a subjetividade do narrador, narra a busca de Sinclair por encontrar o seu eu deixando para trás o comodismo e a segurança do seu lar (o mundo iluminado, aquele que lhe remete o conforto familiar de sua infância, do qual ele não se sente mais parte); e avançar, ainda que temeroso, no caminho do mundo sombrio. É essa dualidade, apresentada logo nas primeiras linhas da obra, que nos acompanha até o seu fim

Figura 3 – O pássaro luta para sair do ovo 
Fonte: Alianza Editorial, 2016

É importante salientar que o narrador, ao contar sua história, está olhando para trás, relatando partes de sua infância e juventude, deixando explícito, diversas vezes, não saber com exatidão os fatos ou as sensações que teve, transparecendo uma ideia de incerteza quanto à informação que estamos tendo. Esse método narrativo, o de contar a história em primeira pessoa, nos centraliza a observar os acontecimentos a partir do ponto de vista de Sinclair e junto a ele sentir e descobrir por nós mesmos o que o autor propõe. 

O autor revela as indecisões e lutas internas pelo qual a personagem de Emil Sinclair passa. São perceptíveis também indicações dos estudos de psicologia feitos por Hesse, ora seguindo uma abordagem Freudiana (a importância da infância e a função que a família exerce na construção do ser), ora surgindo notas de elementos observados nos estudos de Carl Jung (o papel do inconsciente). A dúvida que pode restar ao leitor é a de que talvez o narrador esteja abstraído de sua realidade, ainda que reflita muito sobre ela. Finalizamos a leitura com certezas, refletindo sobre todos os apontamentos feitos por Sinclair em sua narração da juventude, a indagação que fica é: se o próprio Emil teve a mesma noção que ele nos apresentou.

Focando em Demian, ainda que ele não seja a origem de todos os questionamentos de Sinclair, ele serve como uma espécie de intensificador para elas. Constantemente Demian exerce uma função de instigador dentro da história, alguém que sabe de tudo, e, propositalmente, solta informações, ou discursos que contrariam os que são, até então, os valores do protagonista. O jovem Demian, precocemente maduro, atua como um mentor para Sinclair e, de acordo com o próprio, possui uma personalidade estranha que lhe inspira sentimentos confusos que variam da gratidão ao receio, da admiração ao temor, da simpatia à íntima repulsa. 

“Hoje sei muito bem que nada na vida repugna tanto ao homem do que seguir pelo caminho que o conduz a si mesmo” (HESSE, 2019, p. 56). Em um dos trechos do livro, o narrador refere-se a Demian como um tentador; alguém que o enredou ao outro mundo, um mundo perverso e sombrio, do qual ele não queria saber. Não obstante, o próprio Sinclair referia-se ao mundo luminoso, aquele do qual ele teve sua origem, como uma espécie de paraíso perdido ao qual ele não mais poderia regressar.

Mas o que o BTS tem a ver com isso?

Lendo o livro após conhecer o grupo sul-coreano BTS, foi inevitável fazer conexões durante a leitura, mesmo antes do auge do seu referencial — que ocorreria na era Wings com o trecho descritivo de Demian acima sendo utilizado no MV (vídeo de música) do single de Blood, Sweat & Tears. Já na primeira trilogia do grupo (conhecida como School Trilogy contendo os três álbuns 2 Cool 4 Skool, O!RUL8,2? e Skool Luv Affair), é possível fazer ligações entre as questões sociais levantadas pelos k-idols e, também, a abordagem que Hermann Hesse utiliza na obra para se referir ao modelo de ensino e principiológico em voga durante a infância do menino Sinclair.

O livro, publicado originalmente em 1919, possui uma linguagem simples, de fácil assimilação aonde o autor não procura esconder suas intenções durante a narração; ainda que se possa e deva utilizar da biografia de Hermann Hesse considerando o contexto histórico-cultural de sua escrita para analisá-lo, isso serve meramente para enriquecer algo que, por si só, já é notavelmente compreensível para o leitor. Tomando a liberdade de observar o discurso e os conceitos escolhidos pelo grupo BTS, faz sentido a escolha deste livro em particular como referencial textual.

Demian, por não dar grandes detalhes sobre o tempo e espaço ao seu redor, acaba por tornar-se uma obra que transpõe as barreiras históricas e geográficas. A intenção de Herman Hesse é criticar a sociedade em que vivia do mesmo modo que, ao observar os MVs e a história ficcional criada pelo grupo sul-coreano, fica compreensível a utilização desse raciocínio.

O livro, publicado logo após a Primeira Guerra Mundial, teve o público-alvo alcançado com sucesso pelos jovens europeus da época, principalmente os alemães, que passavam por momentos de crise cuja fé, tanto no sistema educacional quanto na religião, perdeu consideravelmente sua força. A narração fácil e empática de Hermann Hesse foi recebida por uma juventude que se considerava perdida e sem grandes perspectivas, na qual puderam se identificar com as mesmas reflexões que o jovem Sinclair teve em seu processo de amadurecimento e já na figura de Demian viram a imagem da transgressão e rebeldia, ainda que de maneira polida, contida e repleta de erudição que ele usava para criticar tudo que era ensinado em sua escola.

Não muito distante disto, na segunda década do século XXI mais precisamente em 2013, o BTS nos convida a refletir sobre as mesmas questões já na faixa introdutória de seu primeiro álbum de carreira, o 2 Cool 4 Skool, em um trecho que traduzido livremente discorre: “Jovens em seus 10 e 20 anos / Vamos falar sobre isso de forma fácil. / Você consegue’. 

Figura 3 – BTS álbum de Debut
Fonte: BigHit Entertainment, 2013

O grupo segue nos apresentando, com suas músicas e MVs, uma narrativa questionadora sobre o mundo ao nosso redor; do estilo de vida que levamos; de como as gerações anteriores são incapazes de compreender ou resolver os problemas das posteriores, ainda que tenham passado por situações semelhantes. Na trilogia escolar, apelidada dessa forma por ter como conceito a abordagem e crítica ao modelo de ensino sul-coreano, diversas faixas de seus três primeiros álbuns como Path, Tomorrow, N.O., If I Ruled the World, Spine Breaker e Silver Spoon assim como no MV de debut No More Dream, fazem alusão à sua realidade autoimposta e de como eles querem se libertar dela por não a considerarem mais como o mundo ideal.

“O que é a vida do ser humano senão buscar o caminho que leva em direção a si mesmo?” (HESSE, 2019, p.10). “Faça seu próprio caminho / Mesmo que você viva apenas por um dia / Faça alguma coisa / Ponha de lado sua fraqueza”, descrevem os trechos da faixa No More Dream, nos quais os membros se indignam com as poucas escolhas que lhes são ofertadas e a falta de chances de fazer algo diferente ou sequer da possibilidade de querer algo além do que lhe é imposto. 

Também podemos identificar elementos filosóficos Nietzschianos, presentes nas duas obras, de forma a contestar a “ideia de rebanho”, aquela em que o homem toma ações mediante o instinto de seguir a multidão ao invés de se individualizar. “Adultos dizem que essa vida é fácil / Dizem que eu sou muito feliz, então por que eu sou tão infeliz? / Não há nenhum assunto que não seja estudar / Há tantos outros garotos como eu lá fora, vivendo a vida como marionete / Quem cuida de mim?”, também nesse trecho de N.O eles compreendem o conceito de uma dicotomia de mundos, da indecisão entre o mundo luminoso (ideal) e o mundo sombrio (real) que é tratado em Demian como um ponto central para a edificação de sua personalidade. Enquanto o BTS nos afirma na música N.O (2013): “Vivemos a mesma vida e tem que se tornar o número um / Para nós é como um vida dupla entre o sonho e a realidade / Quem nos faz uma máquina de estudos? / Você é o número um ou um fracasso / Adultos fizeram esta moldura e nós caímos nela”, em Demian (HESSE, 2019, p. 75) temos: “Somente as ideias que vivemos é que têm valor”.

Figura 5 – MV de N.O
Fonte: 1theK, 2013. 

É na era Wings e em seus álbuns derivados You Never Walk Alone e The Most Beautiful Moment in Life: Young Forever que as referências ao livro Demian se fazem mais presentes dentro da história ficcional, criada pelo grupo para contextualizar suas músicas. Antes mesmo da música Blood, Sweat & Tears, já citado anteriormente, podemos identificar elementos do livro no Universo do Bangtan através das faixas solos: Reflection, Awake, Stigma, First Love e Lie. Logo na música introdutória, chamada Boy Meets Evil, temos a temática da perda da inocência, o primeiro contato com o mundo sombrio e como ele parece viciante, além do surgimento do deus Abraxas, uma divindade dicotômica que tem sua origem em religiões orientais como Zoroastrismo e o Gnosticismo. No livro o deus é explicado através da fala de Max Demian, em que 

Deus representa o bom, o nobre, o paternal, o belo e também o elemento sentimental… está bem! Mas o mundo se compõe também de outras coisas. E todas essas coisas são simplesmente atribuídas ao Diabo. Glorifica-se a Deus como Pai de toda a vida, ao mesmo tempo em que se oculta e se silencia a vida sexual, fonte e substrato da própria vida, declarando-a pecado e obra do Demônio. Creio que devemos adorar e santificar o mundo em sua plenitude total e não apenas essa metade oficial. Ou mesmo criar um deus que interagisse em si também o demônio e diante do qual não tivéssemos que cerrar os olhos para não ver as coisas mais naturais do mundo (HESSE, 2019, p.73).

As personagens existentes dentro do Universo do Bangtan passam pelos problemas da autodescoberta, do mundo luminoso chocando-se com o mundo sombrio e da indecisão de não conseguir nem deixar o passado para trás, nem seguir em frente sem sentirem-se culpadas pela transição entre infância e juventude e a consequente perda de sua inocência. Há alguns trechos do livro em que Sinclair define bem esse rito de passagem em sua vida, como

São muitos os que unicamente esta vez passam na vida por aquele morrer e renascer que é o nosso destino, somente esta vez, quando tudo o que chegarmos a amar quer abandonar-nos e sentimos de repente em nós a solidão e o frio mortal de espaços infinitos. (HESSE, 2019, p.60)

 e

Era uma descoberta dura e tinha áspero sabor, pois trazia consigo um princípio de responsabilidade, um adeus definitivo à infância e um anúncio de solidão e isolamento. (HESSE, 2019, p.74). 

Essa sensação também pode ser encontrada na música Whalien 52, do álbum The Most Beautiful Moment in Live pt. 2.

Um pouco mais a frente, as personagens do Universo do Bangtan, após passarem por uma série de situações em suas vidas de maneira individual, dão indícios de carregar consigo algo que as distingue dos demais. No livro, Sinclair enumera os acontecimentos como “a história de Caim, o crime e o sinal” e reflete sobre isso em alguns momentos, tais como “Demian era totalmente diverso de todos nós e possuía uma marca pessoal” (HESSE, 2019, p.36), depois em “e eu, que já era Caim e levava a marca na fronte, imaginara naquele exato que o sinal não era um estigma infamante, mas antes um distintivo e que minha maldade e minha infelicidade me faziam superior a meu pai, superior aos homens bons e piedosos” (HESSE, 2019, p.41) e, por fim, em “o próprio Damien não era, de certa forma, uma espécie de Caim, já que possuía aquele estranho poder no olhar?” (HESSE, 2019, p.41).

Figura 6 – Caim
Alianza Editorial, 2016

Em relação ao enredo criado pelo BTS —  tanto na história fictícia quanto nas músicas —, nos álbuns seguinte, como a trilogia Love Yourself e o Map of the Soul: Persona, ao invés de se afastar criativamente de Demian, os escritores responsáveis pela formulação do Bangtan Universe buscam se inspirar de outras formas dentro dele. Passando a seguir a perspectiva junguiana, fortemente presente na história, observada nas músicas solos Persona, Shadow e Ego; nos MVs de Idol e Fake Love e em side tracks como Sea, Singularity e Epiphany, as últimas duas faixas ganhando representações visuais também. As personagens, agora mais maduras e tendo aceitado seu destino, vinculam-se à entidade de Abraxas e carregando consigo não só a Marca de Caim, mas também resquícios da personalidade transgressora e requintada de Demian. 

O grupo opta por demonstrar isso através da faixa Dionysus, em que eles mesmos se equivalem ao deus grego Dionísio tomando uma postura hedonista. Tal postura que é citada por Demian em uma de suas muitas explicações sobre o certo e o errado; o instinto de agir que pode ser considerado proibido, “no entanto, os gregos e muitos outros povos fizeram desse mesmo instinto —  a vontade de fazer o que é considerado errado, proibido —  uma divindade à qual rendiam culto em grandes festas. […] Sendo nós os responsáveis por encontrar o que é permitido e proibido a si próprio” (HESSE, 2019, p.75).

Fazer todas estas associações entre o livro publicado em 1919 e o conteúdo produzido pelo grupo sul-coreano que debutou em 2013 não é difícil e nem improvável, pois em ambas as obras é relatado um processo de reeducação. Conforme descrito no livro 

Um laborioso apagar das pegadas que o puritanismo educacional deixa impressas na alma adolescente: a timidez, a humildade, o alheamento – armas obsoletas com a hostilidade do mundo real – e que conduzem, mais tarde, inapelavelmente à solidão e à inadaptabilidade, à surda revolta e ao amargo constrangimento.

Tratam-se de histórias e narrativas atemporais, que discorrem sobre problemas enfrentados que qualquer geração pode se identificar, que não deixam de levar em conta o mundo exterior, mas preocupam-se o bastante com a autodescoberta, a individualização do ser humano e a autorreflexão. Abordam temáticas que nos inspira a olhar para um espelho e buscar a imagem do eu e, através disso, encontrar seu lugar e sua importância; valorizar-se, e quem sabe encontrar o tão sonhado amor próprio. 

“Torna-te quem tu és”, diz Nietzsche; explica Herman Hesse; nos inspira o BTS.

GLOSSÁRIO:

Abstraído: adjetivo que indica característica de absorto (distraído), aquilo que é bem afastado; separado.

Instigador: adjetivo substantivo masculino que indica aquele que incita, estimula, provoca, desperta.

Enredou: verbo que remete ao ato de emaranhar, tecer, ficar preso, envolver. 

Obstante: adjetivo; o mesmo que se opõe, impede. 

Principiológico: adjetivo relativo ao conjunto de princípios, ideias que fundamentam determinada área. 

Voga: substantivo; aquilo que está em cena, moda, próprio do momento. 

Erudição: substantivo; instrução, conhecimento ou cultura variada adquiridos especialmente pelo meio da leitura. 

Dicotomia: substantivo; conceitos contrários, antônimos, porém complementares. 

Infamante: adjetivo que caracteriza o infamador; aquele que deprecia, afronta, é desfavorável.

Hedonista: adjetivo; aquele que pratica o hedonismo, dedicação ao prazer como estilo de vida supremo, doutrina filosófica que visa o bem-estar como valor moral. 

REFERÊNCIAS:

BTS. No More Dream. Seul: BigHit Entertainment, 2013. Disponível em: youtube.com/watch?v=rBG5L7UsUxA  Acesso em 06 de Julho de 2020.

BTS. N.O. Seul: BigHit Entertainment, 2013. Disponível em: youtube.com/watch?v=mmgxPLLLyVo Acesso em 06 de Julho de 2020.

DEVIANTART. DEMIAN 2012 redux by LadyBrot. Disponível em: ladybrot.deviantart.com  Acesso em 29 de Junho de 2020.

HESSE, Hermann. Demian. Tradução de Ivo Barroso. Rio de Janeiro: Editora Record, 2019. 51° edição.

NIETZSCHE, Friedrich. Ecce Homo: como alguém se torna o que é. Tradução, notas e posfácio de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

KUPFER, Bastian.  illustrations for Hermann Hesse’s Demian, published by Alianza Editorial, Madrid, 2016. Disponível em: pinterest.com//pin.it/4zi25TE Acesso em 06 de Julho de 2020.

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