SCHOOL TRILOGY: A Narrativa Visual Na Linguagem Cinematográfica De Matrix No MV N.O do BTS

Vitória Rapallo

É certo afirmar que o mundo à nossa volta é real ou apenas uma construção mental de nosso cérebro? A máxima de renúncias pode realmente provar nossa existência? Ou tudo não se trata apenas de reflexos, sombras na parede de uma escura caverna construída para aprisionar o nosso ‘eu’? 

Em N.O, o MV que simboliza a rebeldia e o questionamento do padrão escolar, que no ponto de vista educacional (o ensino já defasado), impulsiona à revolta dos meninos e estrutura deles, uma nova forma de pensamento entre o “falar e agir”. Com isso, a simulação do professor entregando a pílula aos alunos representa uma saída, a nova realidade do mundo que irão ver.A própria imagem do professor faz uma associação a posição hierárquica, opressora e ditatorial, fazendo uma menção em sua narrativa fílmica ao clipe de Pink Floyd – Another brick in the wall. 

Não precisamos de nenhuma educação / Não precisamos de controle mental / Chega de humor negro na sala de aula.”  – Pink Floyd – Another brick in the wall, 1979

Em análise comparativa com o filme Matrix, neste cenário, as máquinas conseguiram colocar os humanos em um estado de hibernação, onde impulsos elétricos eram usados para emular uma existência paralela, em que todos acreditavam estar vivendo seus cotidianos de maneira natural. Assim como é citado logo no início pelos meninos: Quem nos faz uma máquina de estudos? / Você é o número um ou um fracasso? / Adultos fizeram esta moldura e nós caímos nela. (BTS, N.O, 2013)

A referência utilizada que conecta o MV ao filme é a pílula vermelha, que no ponto da estória, o líder dos rebeldes do mundo real, Morpheus (Laurence Fishburne), junto ao seu grupo de revolucionários, oferece para Neo (Keanu Reeves) duas pílulas: uma de cor azul, outra vermelha. Com isso ele diz: “Se tomar a pílula azul… a história acaba, e você acordará na sua cama acreditando…no que quiser acreditar.  Se tomar a pílula vermelha…ficará no País das Maravilhas…e eu te mostrarei até onde vai a toca do coelho”.

Caso o personagem Neo tomasse a pílula azul, voltaria à sua ilusória e superficial vida, mas se optar pela pílula vermelha, conhecerá a verdade que está por detrás do mundo que julga ser real. Neo arrisca na pílula vermelha, conhecendo, finalmente, a complexa verdade além do seu mundo de aparências. 

Figura 1 – Pílulas de Morpheus
Fonte: Matrix, 1999

Dessa forma, o personagem fictício tem uma decisão importante em suas mãos: a ele foi oferecida a chance de permanecer em seu mundo, seu cotidiano, suas lutas, suas vitórias, seus fracassos, amigos, família, tudo como sempre foi. Já a outra opção, ele teria a oportunidade de balançar os pilares da sua existência, ver e entender a origem das coisas, conhecendo o mundo em seu formato real. 

Pensando sobre o MV, a feição de cada membro descansado sobre as carteiras reforça um modelo comportamental regido pela presença do professor, gerando uma tensão naquele ambiente.  Com essa percepção surge uma questão: é bem possível que esta oportunidade não venha a todos, mas será que nós, ao depararmos em nossas vidas, em algum momento, onde temos a oportunidade de descobrir a verdade, o que faríamos?

Figura 2 – Pílula da verdade
Fonte: BTS, N.O, 2013

Daríamos um passo atrás, ao aceitar a pílula azul e preferimos manter tudo como sempre conhecemos? A mudança é algo a ser temido a ponto de nos deixar estagnar nas tradições criadas por homens e passadas de geração a geração? Ou não, tomaríamos a pílula vermelha e veríamos onde tudo começou, de onde realmente viemos, de onde vieram as tradições de nossos pais e nos fizeram ser quem nós somos, nos deparando com um mundo não tão romancista como idealizamos? 

Figura 3 – BTS e a pílula da verdade
Fonte: BTS, N.O, 2013

Sonho acabou, não há tempo para respirar / Escola, casa e PC, é tudo o que temos/ Vivemos a mesma vida e tem que se tornar o número um / Para nós é como uma vida dupla entre o sonho e a realidade.  (BTS, N.O, 2013)

Acerca de algumas discrepâncias históricas que não nos parecem estar de acordo com os princípios que tanto falamos e ouvimos em nosso meio social, isto é, devemos manter estas dúvidas guardadas dentro de uma prateleira e aguardarmos serem reveladas? Ou devemos manter um espírito questionador, que na visão de demais transpareça “Rebelde e imprudente”, pois provém de jovens que apenas criticam um sistema no qual todos já se adaptaram. 

É certo que a arte imita a vida do mesmo modo que a vida imita a arte, o teor criterioso sobre as obras apresentadas deriva-se da interpretação. De certa forma intimista, visto que a realidade escolar apresentada no MV não concede uma narrativa fílmica de contestar o sistema escolar, ou seguir um padrão de clipes produzidas para “Boy Band”, mas sim para apresentar um fragmento transitório de um ciclo adolescente para o descobrimento da vida de jovens adultos.

Referências

  • BTS. N.O. Seul: BigHit Entertainment, 2013.
  • Hugh B.Brown, An Abundant Life: The Memoirs of Hugh B.Brown, Salt Lake City, 1988, pp.137-39.
  • Movie: Matrix – Warner Brós Pictures. EUA. 1999.  
  • Pink Floyd. Another brick in the wall – .The Wall. UK. 1979.

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