‘WINGS’ CONCEPT BOOK: Por trás dos Olhos do Eu

Wings Concept Photo
Fonte: Big Hit Entertainment 2016
Autor: ThyHeartfilia
Revisão: Elinaete Sabóia e Laís Nahara

A Conceituação artística-literária

No conteúdo Multimídia da Prateleira desta semana, foi feita uma breve introdução sobre o Wings Concept Book. Ao longo deste texto o conteúdo será abordado de forma detalhada, desde a estruturação do conceito até a narrativa.

Uma nova estratégia de storytelling agora permite construir um discurso muito mais complexo, clássico, racional, em contraste, emotivo e simbólico. A Big Hit e toda a sua equipe junto ao BTS vão nos dizer como tudo isso foi minuciosamente construído e compartilhado aos ARMYs.

Divulgação do Wings Concept Book
Fonte: MusicKorea 2017



O livro inicia-se com uma representação imagética da jornada em que o jovem transpassa da sua infância pura e moral, tendo um aspecto tentador (o Mal) que vai instigar o despertar de uma maturidade e malícia neste jovem. Logo, fazendo-o alcançar a vida adulta

Esquematização: Day – Evil – Night (Dia – Mal – Noite) do Wings Concept Book
            Fonte: Youtube 2017(unboxing)

 

Todo esse processo não é simples, não é rápido e muito menos prazeroso. Acontece de forma bastante complexa, devagar (não em um sentido cronológico, mas é devagar nos processos mentais das pessoas; é um amadurecimento bem analisado e pensado) e doloroso. Como diz na legenda da imagem, a fase adulta deste jovem é repleta de conflitos (belicoso na foto tem a ver com bélico; como temos em ‘indústria bélica’, de guerra e combates). A vida adulta é um grande campo de batalha.

Uma espécie de professor e policiais representados no MV de N.O – BTS
Fonte: Youtube 2013
Os 7 membros do BTS representando alunos
            Fonte: Youtube 2013

  

Seguimos, com descrições sobre toda a parte da jornada que antecede Wings. Na discografia Bangtan, começamos com um contexto escolar (School Trilogy; debut do BTS) em que o enfoque era a quebra de um sistema. “Qual é o seu sonho?”, uns dos questionamentos mais emblemáticos que eles fazem durante a School Trilogy. Os 7 jovens entre 2013-2014 estavam dispostos a criticar e trazer um raciocínio individual de que os padrões da sociedade como a escola, a conduta dos pais e até mesmo o governo estavam ultrapassados e equivocados nas suas configurações. Para entender melhor, leia sobre as literaturas do debut do BTS aqui: Caverna de Platão, Matrix, Revolução dos Bichos e Alice. Essas resenhas já escritas nos relatam a mentalidade que é transmitida através das músicas do BTS nesse início de carreira.

Em contrapartida, a série de HYYH (Hwa Yang Yeon Hwa: Most Beautiful Moment In Life 2015) traz à tona um jovem que está rompendo com o estilo de vida imposto pelas grandes massas sociais e, principalmente, está correndo. Porque correr aqui, como a própria Big Hit diz, é a ansiedade de ter escolhido amar e continuar essa jornada no mundo. Antes, presos com os pés no espaço carcerário das instituições sociais e ditas educativas, agora, eles pulam para fora e estão destinados a sofrer, porque o amor é uma escolha sofredora. Então, não há como um indivíduo querer sonhar tendo que seguir normas e regras, acabando por negar a si próprio por uma vontade de fazer parte do todo, de uma sociedade. Não podemos vender a nossa individualidade para estarmos inseridos em um meio social como rebanho. Somos plurais e temos nossas próprias vontades e o direito de correr em prol dessas escolhas com muita paixão. Algumas leituras importantes para somar no entendimento: O Apanhador, Peter Pan e Kafka a Beira-mar.

GIF do MV de Fire – BTS
Fonte: Youtube 2016

Finalizando o momento mais belo desses 7 meninos, temos o MV da música Fire em que é revelado uma frase: Boy Meets What (o garoto se encontra com o que). E é nesta ocasião que a transição para Wings se inicia. É agora que o BTS (depois de escolher sofrer e seguir em frente) vai se deparar com a realidade nua e crua do mundo: falhas, instabilidades, a mentira e as tentações da vida. Quando nós crescemos, percebemos que a vida não é tão perfeita. E o mais importante, vemos que nem tudo que nos ensinaram a ser o certo, realmente era certo. Talvez, também, o que nossos pais diziam ser coisas erradas ou abominações, na verdade, eram apenas tentativas de nos proteger. Mas, felizmente, não há como nos proteger daquilo que faz parte de nós. Pode parecer ruim, entretanto, até o que são abomináveis se tornam estrelas brilhantes.

Em seguida, continuando o entendimento, é interessante expor que o CEO Bang Si Hyuk(nosso Bang PDnim) utilizou o mangá japonês Spiral:  The  Bonds  Of  Reasoning (Espiral: Os Laços Da Razão) como a narrativa que inspirou ele a mentalizar Wings. 

1º Volume do mangá de Spiral: The Bonds of Reasoning
            Fonte: Square Enix 2000

Dois anos atrás, o famoso detetive e pianista Kiyotaka, irmão mais velho de Narumi Ayumu, desaparece misteriosamente. A única pista sobre o paradeiro de seu irmão foram as palavras “Blade Children”, foi tudo o que ele pode entender na última ligação telefônica que recebeu de Kiyotaka. Atualmente no Colégio Tsukiomi, Ayumu acaba se envolvendo na investigação de uma série de assassinatos e outros incidentes, todos relacionados com as Blade Children. Junto com a presidente do clube de jornalismo, Yuizaki Hiyono e com ajuda de sua cunhada Madoka, Ayumu tenta desvendar quem são as Blade Children. (Sinopse, Manga Livre 2012)

Brevemente, este mangá é sobre um protagonista que vivencia o sumiço de seu irmão mais velho e ao longo da narrativa descobre-se que há todo um universo envolvendo ficção e mistério. O fato é que coisas tenebrosas e chocantes são descobertas pelo irmão mais novo acerca do mundo real e como tudo não é bem do jeito que pensamos. Isso é expandido por Bang PD nos conceitos de ‘adulto’, ‘anti-adulto’ e ‘não-adulto’.

  • Anti-adulto: o mundo dos adultos é cheio de maldade, os jovens não querem isso e acabam agindo como Peter Pan almejando serem eternos juvenis;
  • Não-adulto: aqueles que não são adultos, o inverso do adulto. De tal forma, percebem que a vida é suja e desprezível desde cedo, mas eles não conseguem parar essa jornada em direção a vida adulta. É como se alguém estivesse empurrando eles, logo, se tornam adultos incompletos e vazios de si mesmos;
  • Adulto: aceitam que a vida não é perfeita e se permitem crescer. Mesmo com todas as imperfeições, defeitos e durezas da realidade, o amor próprio e a auto aceitação são aspectos firmes, enraizados e sem estigmas.

Não somente isso, mas é importantíssimo dizer que em Wings temos uma introdução muito mais explícita da obra de Demian (leia no nosso site a resenha para melhor compreensão do intertexto: Demian). Lembrando que o BTS já fez a utilização desta obra como intertexto no período da School Trilogy no sentido de estar na contramão de um sistema sufocante. Porém, agora em Wings temos citações de frases de Demian no início de todos os Short Films desse álbum, enunciadas pelo líder Kim Namjoon. Fazendo intertextualidade do Tentador como Demian (aquele que desconstrói o mundo infantil do protagonista), também da mãe Eva e do próprio Sinclair, protagonista de família cristã.

Partindo diretamente para as produções audiovisuais de ‘Wings’, os Short Films (curta-metragens) são uma série de 7 vídeos curtos (em torno de 3 min) individuais de cada membro do BTS. Ali, eles narram os acontecimentos de cada personagem dentro do Universo Bangtan (BU) que foram totalmente descritas pelos livros Notes 1 & 2. E anteriormente, se nos é lembrado, em HYYH são narrados vários acontecimentos da vida ficcional das personagens de Kim Namjoon, Kim Seokjin, Min Yoongi, Jung Hoseok, Park Jimin, Kim Taehyung e Jeon Jungkook. Para entender melhor acesse as resenhas: 花樣年華 THE NOTES 1 e, em seguida, Webtoon: SAVE ME

Além disso, os símbolos do livro Demian são da mesma forma representados ao longo dos Short Films: a pintura de Sinclair, o pássaro que sai do ovo, a maçã, a figura esotérica de Abraxas, Maria Madalena, o piano etc. Todos esses elementos imagéticos são encontrados na história do livro Demian. 

Jungkook pintando um quadro em ‘BEGIN’, assim como, Sinclair faz em Demian
            Fonte: Youtube 2016

A contemplação daquela pintura despertou em mim uma impressão singular. Via-se como um ícone ou máscara sagrada, entre masculina e feminina, sem idade, tão voluntariosa quanto sonhadora, tão rígida quanto secretamente viva. Aquele rosto tinha algo a dizer-me, pertencia-me, indagava algo de mim. E se parecia com alguém, que eu não conseguia saber quem era (Hesse, Hermann. Demian (p. 90). Record. Edição do Kindle).

Jimin mordendo uma maçã em ‘LIE’, fruta que aparece em Demian
            Fonte: Youtube 2016

Impulsionado pelo medo, comecei eu também a contar vantagens. Inventei uma fantástica história de rapinas, na qual me reservei o papel de protagonista: com o auxílio de outro colega, havia roubado, certa noite, num pomar próximo do moinho, um saco cheio de maçãs; e não eram maçãs comuns, mas da melhor qualidade. Fugindo dos perigos do momento, buscava refúgio em minha fantasia, pois não me faltava certa facilidade para inventar e dizer; além disso, o desejo de prolongar ao máximo o meu relato para não me encontrar novamente na temida situação anterior, ou noutra ainda pior, me levou a recorrer a toda a minha aptidão (Hesse, Hermann. Demian (pp. 14-15). Record. Edição do Kindle).

V grafita a figura e risca o nome de Abraxas em ‘STIGMA’, divindade citada em Demian
            Fonte: Youtube 2016

“(…) Este nome (Abraxas) aparece citado em várias fórmulas mágicas da antiga Grécia, e imagina-se que tenha sido um espírito maligno como os que ainda são temidos e conjurados entre os povos selvagens. Contudo, outras hipóteses atribuem a Abraxas importância ainda maior, vendo nele uma divindade dotada da função simbólica de reunir em si o divino e o demoníaco.” (Hesse, Hermann. Demian p. 101. Record. Edição do Kindle).

Suga com um piano em ‘FIRST LOVE’, instrumento que a personagem Pistórius toca em Demian
            Fonte: Youtube 2016

Na vez seguinte em que o fui encontrar (Pistórius) na capela, não se mostrou nada comunicativo. Conduziu-me por uma rua antiga e solitária a um velho casarão, de aspecto bem-cuidado, e, pelo interior, até um quarto espaçoso, mas um tanto sombrio e desarrumado, no qual, com exceção de um piano, nada lembrava a música, enquanto uma grande estante de livros e uma ampla mesa de escrever lhe davam aspecto erudito (Hesse, Hermann. Demian pp. 110-111. Record. Edição do Kindle).

RM olha um desenho em ‘REFLECTION’ do pássaro que sai do ovo em Demian
 Fonte: Youtube 2016

“A ave sai do ovo. O ovo é o mundo. Quem quiser nascer tem de destruir um mundo. A ave voa para Deus. E o deus se chama Abraxas.” Após ler essas linhas várias vezes, caí em profunda meditação. Não havia dúvida: era a resposta de Demian. Ninguém mais sabia nada sobre o pássaro, somente ele e eu (Hesse, Hermann. Demian pp. 99-100. Record. Edição do Kindle).

Um quadro nomeado de “Eva” aparece em ‘MAMA’, mãe de Demian
Fonte: Youtube 2016

De repente, tive de baixar os olhos: sob a gravura, no vão da porta aberta, erguia-se uma mulher de bela estatura, vestida de escuro: era ela (Eva).

Não pude mover os lábios. Em seu rosto belo e digno, sem tempo nem idade como o do filho (Demian), e repleto também de pura vontade espiritual, esboçou-se um sorriso acolhedor. O olhar era cumprimento, a saudação significava retorno ao lar. Em silêncio estendi as mãos para ela. Ela as tomou ambas entre as suas, firmes e cálidas (Hesse, Hermann. Demian p. 151. Record. Edição do Kindle).

Figura de ‘Abraxas’ aparece mais uma vez, agora em ‘Awake’ com Jin olhando a pintura do pássaro
Fonte: Youtube 2016

Demian afirmara por aquela época que o Deus a que rendíamos culto representava apenas a metade do mundo, arbitrariamente dissociada (o mundo oficial e permitido, o mundo “luminoso”), e assim, para podermos adorar o mundo em sua totalidade, como era necessário, forçoso era buscar um deus que fosse ao mesmo tempo demônio, ou estabelecermos, junto ao culto divino, também um culto demoníaco. E agora surgia Abraxas como a divindade síntese de deus e de demônio (Hesse, Hermann. Demian p. 102. Record. Edição do Kindle).

De forma onírica (como se fosse um sonho) em que não percebemos uma limitação nos espaços, os cenários (descrito no Concept Book) foram tão bem elaborados que foi-se gasto 5 vezes mais do que o comum para evidenciar toda a construção conceitual entre os Short Films e os Photoshoots. Estes tais sendo uma extensão dos conteúdos audiovisuais, proporcionando um storytelling coerente e coeso, enxerga-se um processo que faz sentido e os telespectadores são capazes de compreender a mensagem. Como, na School Trilogy em que o BTS se vestiu de uniformes escolares amassados e, após, já temos em HYYH uma moda totalmente voltada para o estilo do jovem do Modernismo Inglês da década de 60 (Big Hit abrevia como Mod).

Neste momento, após passarmos por uma cadeia de curtas em que a narrativa do BU é introduzida novamente, temos aquele que nos guiará por todo o mundo de Wings. O responsável pela introdução do álbum, ou melhor, do Comeback Trailer foi Jung Hoseok (j-hope). Era necessário ser alguém que fosse capaz de expressar uma dança forte, onde os conceitos de sofrimento pela vida adulta, o sangue, suor e lágrimas estivessem cravados no coração. Hoseok precisava expressar dor e uma atmosfera conflitante, pois não poderia parar de dançar. Quem conhece o Mal e é agarrado por trás não tem muitas escolhas a não ser de se entregar a aquilo que faz parte de você mesmo.

J-hope em ‘Boy Meets The Evil’ com sua sombra alada
Fonte: Youtube 2016

— Nossa fé, aquela para a qual escolhemos agora o nome de Abraxas, é muito bela, meu caro Sinclair. É o melhor que temos. Mas está ainda nas primícias. Ainda não lhe cresceram as asas. E uma religião solitária não é nada. Tem que tornar-se coletiva; é preciso ter culto e adeptos, festas e mistérios… – Pistórius (Hesse, Hermann. Demian (p. 121). Record. Edição do Kindle). 

J-hope é o nosso guia para o novo mundo, e seu rapper recita uma melodia que nos chama a uma responsabilidade de prosseguir em frente. Se utilizando de movimentos do estilo Old School na fusão do krump (um estilo de dança livre e expressivo, com muita força e atitude) e um pouco de dança moderna.Com frases muito provocantes: “Tão mal, é tão doce/ Este amor é outro nome para o mal” (Boy Meets The Evil-Comeback Trailer). Literalmente, é mergulhar nas asas de Wings e ser guiado como se estivesse possesso. 

O ápice desse movimento é a música título Blood, Sweat and Tears. Para esta title em específico, Bang  Si Hyuk e  Lumpens (diretor de MV) trabalharam com tudo que havia de diferente em uma música de Pop coreano. Foi utilizado um novo gênero, o  moombahton (originado do electro house e do reggaeton pelo DJ Dave Nada). Também, a direção e produção do Bangtan planejaram um mise-en-scène (terminologia das artes cênicas: teatro e cinema, onde havia uma organização da forma cenográfica e da direção). Isso quer dizer que Blood Sweat and Tears não foi estruturada para ser uma música cativante e de fácil abordagem do público, era um momento de pensar no Estrangeiro. BTS estava na sua jornada pela esfera internacional a qual foi expressada na disposição artística e literária de todo o álbum ‘Wings’. 

Salão principal de BST (versão coreana) ilustrando um museu com estátuas e quadros clássicos
Fonte: Youtube 2016
Uma sala em BST (versão coreana) com o quadro The Lament for Icarus, em néon roxo escrito The Tempter (O Tentador) por trás do BTS e no teto a pintura da Catedral de São Nicolau (Liubliana, Eslovênia)
Fonte: Youtube 2016

É nítido que a predominância de culturas eurocêntricas permeiam ‘Blood, Sweat and Tears’. Um dos primeiros cenários revelam o quadro da queda da personagem mitológica de Ícaro com o letreiro “Tempter” (tentador) sobreposto, nos lembrando de Demian. O ambiente renascentista e neoclássico (o resgate da cultura dos antigos gregos) figuradas por um cenário de museu é o ponto cerne de todo o audiovisual a ser explorado. Ali se encontram BTS e diferentes estátuas de representação helênica que podemos interpretar como uma naturalidade da relação dos 7 meninos com a arte européia. Ao longo do MV, se introduzirá cenários onde o processo de transição da pureza é representado por uma expressão de cores vivas e fortes, é muito importante ressaltar que o próprio autor expressa a sua interpretação íntima das semioses (processos simbólicos). Assim, precisamos entender o quão relevante é o Wings Concept Book, porque são poucas vezes que temos a oportunidade de saber o que estava no coração dos artistas enquanto trabalhavam. De tal forma, se percebe a chegada do novo mundo. Na ponte de ‘Blood Sweat and Tears’, acontece uma performance em órgão de Yoongi da canção Passacaglia e a narração de Namjoon citando uma passagem de Demian. Sinclair, o protagonista, percebe que o tentador foi aquele que estava o transicionando para o 2º mundo (a vida adulta, independente e conflitante na realidade do mal) e, consequentemente, ele não queria mais ter relação com nada. Deste ponto em diante, não existem mais crianças e, sim, pessoas desconstruindo estigmas e se estruturando em tudo de bom e ruim que pode-se pensar do ser humano. Tudo entra em colapso, porque é necessário. É como se fosse um parto normal: se sangra, se soa e se chora para nascer algo novo.

Jin em BST (versão coreana)  frente a um espelho escuro com uma citação do prólogo de Zaratustra ( Nietzsche)
Fonte: Youtube 2016

Big Hit nos deixa uma reflexão com uma citação de Nietzsche: “Man  muss  noch  Chaos  in  sich  haben,  um  einen  tanzenden  Stern  gebären  zu  können.” Significa,  “É preciso ter ainda caos dentro de si, para poder dar à luz uma estrela dançante.” (NIETZSCHE, Assim Falou Zaratustra, prólogo 5 pg. 16).

  • Bangtan P.O.V – Entrevistas
Wings Concept Book aberto na 1ª parte das entrevistas do BTS
Fonte: Youtube 2017 (unboxing)

Jungkook: “Os membros do BTS me fizeram quem eu sou hoje”.

J-Hope: “Eu vou dançar até o momento que eu puder.”

Suga: “Eu só quero fazer música que dê às pessoas esperança.”

Rap Monster: “Nunca é legal estagnar-se sem um desafio.”

 Jin: “Eu não estou tentando acelerar as coisas.”

V: “Eu queria poder ser o cantor que tem fãs orgulhosos de mim.”

Jimin: “A coisa mais importante é fazer o meu melhor no palco.”

Cada membro foi entrevistado individualmente, tendo sido obtido respostas profundas que refletiam a quantidade e qualidade artística demandada por Wings. O ano de 2016 foi um grande marco para o Bangtan com performances no Seoul  Gymnastics  Stadium e, também, por terem ganhado um significativo Daesang. Dessa forma, todos estavam muito realizados e felizes. Foi uns dos primeiros anos que o BTS teve um reconhecimento honroso e dominante na Ásia com premiações de melhor álbum pelo MMA e artistas do ano pelo MAMA. 

Pode-se dizer que umas das coisas que contribuíram para todo esse reconhecimento artístico foi devido ao trabalho em equipe e individual em Wings (solos e MVs). O nascimento dos Short Films se deu quando houve um desabafo junto aos outros membros e Bang PDnim (Producer-nim), todos choraram e colocaram suas angústias para fora. Por exemplo, nosso maknae de ouro diz se identificar com a figura protagonista de Sinclair no livro Demian no sentido de ser um pessoa que quer se libertar dos cuidados dos outros e ser um adulto. ‘Wings’ fez todos pensarem muito acerca de tudo. 

J-hope, diz que tratando de sua história de vida, gostaria de partilhar as suas experiências com sua mãe. Foi especial receber duas participações solo de Hobi, o Comeback TrailerBoy Meets the Evil’ e ‘MAMA’. Sua mãe se sentiu muito feliz e os pais dos outros membros ficaram com um pequeno ciúme. Seu pai orgulhoso, principalmente, pelo fato de Hoseok ter escrito a letra também e ter sido uma produção total de seu filho.

Suga nos mostra como o apoio da produção de Bang PD e de todo o resto da  equipe contribui para que ele pudesse mostrar às pessoas o que realmente é uma música de qualidade. Todo o processo de composição, mixagem, e audiovisual precisam ter um alto nível.. E ter uma empresa que pode proporcionar todos esses recursos e liberdade  é uma grande dádiva.

Seguindo, podemos dizer que Namjoon foi o grande mestre por trás da nomenclatura ‘Blood Sweat and Tears’. Ele expõe que não é uma expressão comum da língua coreana, entretanto, também ele pensou no álbum de Ace Hood (2011) intitulado “Blood Sweat and Tears” como um ótimo intertexto, reforçando a importância do título. O livro Demian é predominante em Blood Sweat and Tears e isso é outro fator com influências de RM. Pois já era uma literatura conhecida pelo mesmo e ficou muito feliz por Bang PD querer usá-la para retratar o amadurecimento humano. E nada melhor que a voz do próprio líder para trazer uma ideia de enredo orgânico e real para Wings.

Continuando uma série de protagonismos dos nossos meninos, deparamo-nos agora com a participação do Jin. ‘Awake’ foi o primeiro solo com participação dele e em especial no refrão. É incrível acreditar que existiram 5-6 versões do mesmo (Seokjin sinta-se livre para futuras revelações). E com muita insistência Slow Rabbit aceitou os escritos de Jin e hoje temos este belo solo que até recebeu um remix Natalino. Não haveria uma forma melhor de trabalhar a narrativa do ‘despertar’ do que em uma data que comemoramos um novo nascimento; Jin é extremamente simbólico e sabe trabalhar esses processos sígnicos (semioses).

Prosseguindo, V nos traz uma inspiração celebre com a sua participação em Wings. O filme “Chet Baker: A Lenda do Jazz” (Born To Be Blue 2015) fez o jovem artista  construir uma melodia pautada no Jazz e com a temática de transformação de alguém que está  desconstruindo estigmas para construir verdades  da vida com muita auto-aceitação. Taehyung pensa em performar com um trompetista ou pianista no palco, um estilo de performance bem característico e clássico do nosso V-isual.

E por fim, temos Park Jimin nos revelando que foi  Jin o escolheu como o integrante que mais carrega a sensibilidade imagética de Blood Sweat and Tears. Jimin demonstra-se   muito relevante, era ele que iniciava a transição e o pacto com o Mal. Foi uma responsabilidade muito grande falar “Blood Sweat and Tears” (‘내 피 땀 눈물’) e o mesmo relata que nas gravações foi necessário enfatizar o teor sexy e delicado dessa frase. Park Jimin, literalmente, viveu sangue, suor e lágrimas, fazendo uma dieta e perdendo 7kg chegando aos seus limites físicos, ocasionando desmaios durante os treinos  e noites mal dormidas, para o melhor desempenho das coreografias e do seu solo tão complexo ‘Lie’.

Style – Galeria de Roupas ‘Wings’

Início da sessão individual das vestimentas usadas em’ Wings’ & Looks de RM
Fonte: Youtube 2017 (unboxing)
: The Parade Jacket (Burberry) | Rap Monster em Blood Sweat and Tears (ver. coreana)
Fontes: Burberry Pinterest | Youtube 2016
Peony Rose Twill Pyjama-Style Shirt (Burberry) | Rap Monster em Blood Sweat and Tears (ver. coreana)
Fontes: Burberry Pinterest | Youtube 2016

Ruff Collar Cotton Voile Tunic Shirt (Burberry) | Rap Monster em Blood Sweat and Tears (ver. coreana)

Fontes: Burberry Pinterest | Youtube 2016

 Burgundy Slim Fit Velvet Blazer (Gucci) | Rap Monster no Concept Photo

Fontes: Amino [Fashion] Website 2016  | Wings Concept Photo 1

Embroidered Denim Pants (Gucci) | Rap Monster no Concept Photo

Fontes: Amino [Fashion] Website 2016   |  Wings Concept Photo 1

 Rose Print Neck Bow (Gucci) | Rap Monster no Concept Photo

Fontes: Amino  [Fashion] Website 2016 |  Wings Concept Photo 1

Studded Chelsea Boots (Saint Laurent) | Rap Monster em Blood Sweat and Tears (ver. coreana)

Fontes: Amino  [Fashion] Website 2016  |  Wings Concept Photo 1

:  Vinny Graphic Print Bomber (Dries Van Noten) | Rap Monster no Concept Photo
Fontes: Twitter 2016 | Wings Concept Photo 4
Princetown Leather Slipper (Gucci) | Rap Monster no Concept Photo
Fontes: Gucci Pinterest | Wings Concept Photo 4
Vsp Rubber Patch Cap (VFILES Sport Plus) | Rap Monster em Blood Sweat and Tears (ver. japonesa)
Fontes: Twitter 2017 | Youtube 2017
Looks de Suga & V
Fonte: Youtube 2017 (unboxing)
Spring/Summer Menswear 2016  (Dolce and Gabbana) | Suga em Blood Sweat and Tears (ver. coreana)
Fontes: Vogue Paris Pinterest | Youtube 2016
Ordinary People Seoul Fall 2016 (Vogue) | Suga no Concept Photo
Fontes: Vogue Magazine Pinterest | Wings Concept Photo 4
Fall/Winter Scarf 2016 (Louis Vuitton) |  Suga no Concept Photo
Fontes: Twitter 2016 | Wings Concept Photo 4
Princetown Dot Jacquard Slipper (Gucci) | Suga no Concept Photo
Fontes: Gucci Pinterest | Wings Concept Photos 2016
Embellished Spencer Shirt  Fall Menswear 2016 (Balmain) | Suga em Blood Sweat and Tears (ver. coreana)
Fontes: Vogue Magazine Pinterest | Youtube 2016
Navy Silk Constellations Tie (Valentino) | Suga em Blood Sweat and Tears (ver. coreana)
Fontes: Vergle Website | Youtube 2016

Fall/Winter Menswear 2015 (Dolce and Gabbana) | V em Blood Sweat and Tears (ver. coreana)
Fontes: NOWFASHION Pinterest | Youtube 2016
Velvet Bomber Jacket Madame Blue (Haider Ackermann) | V no Concept Photo
Fontes: FARFETCH Pinterest | Wings Concept Photos 2016
Tie Pattern Jersey Jacket (Gucci) | V no Concept Photo
Fontes: Gucci Pinterest | Wings Concept Photos 2016
Kohk Pick Edition Earrings (Kusikohc) | V no Concept Photo
Fontes: Twitter 2016 | Wings Concept Photos 2016
Wool Lurex Argyle Waistcoat (Gucci) | V no Wings Concept Book
Fontes: Gucci Pinterest | Youtube 2017 (unboxing)
Nirvana in Utero Vintage T-shirt | V em Wings Short Film #3 STIGMA
Fontes: Rockabilia Pinterest | Youtube 2016
Blue Appliqud Distressed Denim Jacket -Spring Menswear 2017 (Mihara Yasuhiro) | V em Blood Sweat and Tears (ver. japonesa)
Fontes: Vogue Magazine Pinterest | Youtube 2017
V: Black Polka Dot Scarf Neck Top (Saint Laurent) | V em Blood Sweat and Tears (ver. coreana)
Fontes: Barneys New York Pinterest | Youtube 2016
Spring/Summer Pants Menswear Paris 2017 (Julien David) | V em Blood Sweat and Tears (ver. japonesa)
Fontes: NOWFASHION Pinterest | Youtube 2017
Unisex Simple Bloafer Ivory (Salon De Seoul) | V no Concept Photo
Fontes: Musinsa Store 2016 | Wings Concept Photo 4
Looks de Jin & Jungkook
Fonte: Youtube 2017 (unboxing)
Contrast Sleeve Blazer (Comme Des Garcons Homme Plus) | Jin no Concept Photo
Fontes: FARFETCH Pinterest | Wings Concept Photo 4
Contrast Sleeve Blazer (Comme Des Garcons Homme Plus) | Jin no Concept Photo
Fontes: FARFETCH Pinterest | Wings Concept Photo 4
Guipure-lace Bib Cotton-poplin Shirt (Miu Miu) | Jin em Blood Sweat and Tears (ver. coreana)
Fontes: MATCHESFASHION Pinterest | Youtube 2016
Destroyed Stripe Sweater (Mihara Yasuhiro) | Jin em Blood Sweat and Tears (ver. japonesa)
Fontes: FARFETCH Pinterest | Youtube 2017
Wheel Print Pajama Shirt (Dolce & Gabbana) | Jungkook em Blood Sweat and Tears (ver. coreana)
Fontes: ModeSens Pinterest | Youtube 2016
Sagan Tiger-head Leather Loafer (Gucci) | Jungkook em Blood Sweat and Tears (ver. coreana)
Fontes: ModeSens Pinterest | Youtube 2016
CONTACT RING 2-Howlite (Frica) | Jungkook em Blood Sweat and Tears (ver. coreana)
Fontes: Frica Jewelry E-Store Website | Youtube 2016
Autumn/Winter Menswear 2016 (Alexander McQueen)  | Jungkook em Blood Sweat and Tears (ver. coreana)
Fontes: Vogue Magazine Pinterest | Youtube 2016
Dylan Collar Shirt, Moon and Stars (Saint Laurent) | Jungkook no Concept Photo
Fontes: ModeSens Pinterest | Wings Concept Photo 1
Jungkook: Moroccan Navy Pajama Pants (Lovlov) | Jungkook no Wings Concept Book 
Fontes: Twitter 2016 | Wings Concept Book 2017
Glitter Slippers (Giuseppe Zanotti Design & G-Dragon) | Jungkook no Concept Photo
Fontes: UnitedKpop 2015 | Wings Concept Photo Special
‘rthirteen’ Flame Print Cut Off Sleeve Oversized Hoodie In Red & Black (R13) | Jungkook em Blood Sweat and Tears (ver. japonesa)
Fontes: ModeSens Website 2017 | Youtube 2017
Looks de Jimin & Jhope
Fonte: Youtube 2017 (unboxing)
Fall Menswear 2016 (Balmain) | Jimin em Blood Sweat and Tears (ver. coreana)
Fontes: Vogue Magazine Pinterest | Youtube 2016
Tuxedo Blazer Fall Menswear 2016 (Haider Ackermann) | Jimin em Blood Sweat and Tears (ver. coreana)
Fontes: Vogue Runway Website 2016 | Youtube 2016
Cross Ring (Frica) | Jimin em Blood Sweat and Tears (ver. coreana)
Fontes: Frica Jewelry E-Store Website | Youtube 2016
Fall Menswear 2016 (Prada) | Jimin no Concept Photo
Fontes: Vogue Runway Website 2016 | Wings Concept Photo 2
Frame Shirt Spring/Summer 2016 (The Centaur) | Jimin em Blood Sweat and Tears (ver. coreana)
Fontes: Youtube 2018 (1m24s) | Youtube 2016
Fall Menswear 2016 (Undercover) | Jimin no Concept Photo
Fontes: Vogue Runway Website 2016 | Wings Concept Photo 1
Face Print Shirt Fall Menswear 2016 (Louis Vuitton) | Jimin em Blood Sweat and Tears (ver. japonesa)
Fontes: Viva NZME Website 2016 | Youtube 2017
Multicolor Stripe Chunky Knit Jumper (Stella McCartney) | Jimin em Blood Sweat and Tears (ver. japonesa)
Fontes: Fashion Bomb Daily Style Magazine Website 2017 | Youtube 2017
Princetown Leather Slipper with Snake (Gucci) | Jimin no Concept Photo
Fontes: Gucci Pinterest | Wings Concept Photo 4
Blazer De Pompadour Ivory/Black (Haider Ackermann) | Jhope em Blood Sweat and Tears (ver. coreana)
Fontes: Twitter 2016 | Youtube 2016 
Black Printed Scarf (Haider Ackermann) | Jhope em Blood Sweat and Tears (ver. coreana)
Fontes: ModeSens Pinterest | Youtube 2016
JHope: Floral Jacquard Blazer (Saint Laurent) |  Jhope em Blood Sweat and Tears (ver. coreana)
Fontes: FARFETCH Pinterest | Youtube 2016
 Marilyn Monroe Knitted Top (Dries Van Noten) | Jhope no Wings Concept Book 
Fontes: Twitter 2016 | Youtube 2017 (unboxing)
Reversible Appliquéd Velvet and Quilted Satin Bomber Jacket (Dries Van Noten) | Jhope em Blood Sweat and Tears (ver. coreana)
Fontes: ModeSens Pinterest | Youtube 2016 
Waistcoat Fall/Winter Menswear Collection 2016 (Gucci) | Jhope no Wings Concept Book
Fontes: Vogue Runway Website 2016 | Youtube 2017 (unboxing)
Dandelion Studded Suede Loafers (Christian Louboutin) | Jhope no Concept Photo
Fontes: MATCHESFASHION Pinterest | Wings Concept Photo 4
Spring Menswear 2017 (Mihara Yasuhiro) | Jhope em Blood Sweat and Tears (ver. japonesa)
Fontes: Twitter 2017 | Youtube 2017

  The Wings Tour In Seoul – 2017

Falar da turnê de Wings é de suma importância por dois fatores: foi o marco de  início em Seul e fim em Seul; também, foi um momento  divisor de águas na narrativa do Universo Bangtan (BU). Tudo é uma questão da arte-vida. 

The Wings Tour In Seoul
Fonte: Youtube 2017 (unboxing)

Iniciando com Not Today e terminando com Spring Day as performances deram a grande oportunidade de vivenciar o estado atual de cada personagem e sua identificação dentro do enredo do BTS e os solos acentuaram essa visão mais minimalista de cada um. Os VCRs resgatando a narrativa do BU, estruturando uma nova perspectiva artística-literária a partir das obras antecessoras próprias, nos mostrando que a jornada se renova e o que passou se ressignifica no futuro. A BTS  Live  Trilogy  Episode  III:  THE  WINGS TOUR traz consigo o final e o começo da história, pois nada é negligenciado no processo narrativo e tudo se faz novo.

Versos da Juventude

Ineditamente, o BTS traz uma construção em versos (podemos chamar de um poema/poesia?). Esse enredo é discursado durante o último show da turnê de Wings e eternizado nas páginas do Wings Concept Book. Trata-se da história do Universo Bangtan, versos que revelam a unidade do BTS, pluralidade e singularidade de cada integrante. Um é igual a sete e sete pode se tornar um. Na verdade, um é sete e esse processo simbólico nós encontramos mais desenvolvido na resenha de Os Três Mosqueteiros (que não são só três por curiosidade). 

Versos a esquerda presentes na sessão The Wings Tour In Seoul 
Fonte: Youtube 2017 (unboxing)

Portanto, diferenciar sempre em dualidades é um grande problema da jornada das pessoas. Wings traz amadurecimento e entendimento da importância do Mal. Não há certo e errado, bom e ruim. Chorar é apenas um outro nome para sorrir, pois quem disse que sorrir é sinônimo de felicidade? E, medo é outro nome para esperança, de tal forma que mesmo em meio ao temor e angústia, no Notes 1, BTS cita Emily Dickinson para dizer que: “a esperança é uma coisa com penas”. Então, se você tem asas, apenas voe. Isso é a sua esperança mesmo em meio ao medo.

Referências

  • BIGHIT Entertainment. Wings Concept Book. Seul: Genie Music Corporation, 2017.
  • HESSE, H. Demian. 1ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2015. Edição do Kindle.
  • NIETZSCHE, F. Assim Falou Zaratustra. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *