I-Land : O futuro de trainees

Na imagem, os 23 participantes com Bang PDnim, Rain e Zico à frente.
Fonte: Foto Reprodução/ Mnet
 

Por Gabrielly Guimel e Ana Luíza Gomes
Revisão por Brunna Martins e Julyanna Dias

Na sexta-feira, 26 de junho, estreou o primeiro projeto da BELIF+, fruto de uma “joint venture” (empreendimento conjunto) entre a CJ ENM (Cheil Jedang Entertainment & Media) e a Big Hit Labels, chamado I-Land. A proposta do mais novo reality show de observação é buscar um “sistema perfeito” no K-pop.

O programa percorre a história de 23 concorrentes que precisam provar seus potenciais para poderem debutar em um “new boy group”. O reality com cara de “Jogos Vorazes”, transmitido pela Mnet, conta com a presença do ator Namgoong Min (Remember: War of the Son) como narrador e apresentador; Zico (rapper e produtor) e Rain (cantor e ator) como mentores e produtores; Bang Si Hyuk, fundador  CEO da Big Hit, como produtor geral, e ainda as participações especiais de Son Sungdeuk, conhecido por ser coreógrafo oficial do BTS e TXT, e o produtor Pdogg. Alguns internautas notaram a falta de uma produtora mulher entre a banca do júri, o que não agradou de fato, mas isso não foi um empecilho para o sucesso do investimento. 

I-Land, the creation of next generation K-pop idols
(tradução: I-Land, a criação da próxima geração de idols de K-pop)
Fonte: Foto Reprodução/ Mnet

O reality promete

Logo em seu primeiro teaser de divulgação, lançado em maio, o apresentador Namgoog demonstra grandes expectativas para a estreia do programa: 

“O jogo de sobrevivência mais evoluído se desenrola aqui. O mundo inteiro assistirá todo o processo. Agora é a hora de provar a si mesmo”.

O formato bem roteirizado e diferenciado, nos faz lembrar de programas de sobrevivência que vimos em livros e filmes como “Jogos Vorazes” e “Divergente”. Em diversos momentos podemos ver Namgoog usando de sua atuação para descrever a competição, a tornando ainda mais interessante para quem a assiste.  Carol Dantas Amorim, de 20 anos, estudante de Comunicação Social – Jornalismo, está cada dia mais interessada pelo reality e ansiosa para o próximo episódio: “Como uma fã do I-Land e alguém que não consegue pensar em outra coisa além das 11h da manhã de sexta-feira durante a semana inteira, é um programa realmente surpreendente, gostoso de assistir e diferente de qualquer outra coisa que já assisti.”. O cenário também auxilia nessa experiência de imersão total da proposta do reality. 

A estrutura

Em conversa na premiere sobre o centro de treinamento, os produtores compartilharam suas opiniões a respeito do design estratégico do programa. Rain comentou: “Se você colocar em termos de filme, isso é um sucesso de público. Eu sinto que estou em um set de filmagem”. Já o rapper e produtor Zico retrata o seu espanto ao entrar no local: “É um lugar onde você não pode praticar adequadamente. Não parece que foi feito para você investir 100% do seu tempo?”.

Durante a divulgação do programa, foi revelado que cerca de 20 milhões de dólares haviam sido investidos para a produção do novo reality com proposta inovadora e que nos dá a oportunidade de conhecer aprofundadamente cada um dos 23 membros do I-Land e Ground.

“É bem visível que toda a estrutura e storytelling do I-Land foi pensada em impacto visual, não à toa que no primeiro episódio, trainees das mais diversas nacionalidades e meio perdidos no mato passam a ser vinte e três garotos com os olhos arregalados”, diz Carol. 

O palco totalmente imersivo se locomove junto aos trainees, as paredes que o revestem também usam da mais alta tecnologia e adicionados às performances prometidas de cada participante, é um verdadeiro show para quem assiste de dentro e de fora do estúdio. O portal usado para a entrada dos dormitórios em formato de ovo não deixa de ser atraente, unido aos telões que estampam as bandeiras com as fotos de cada participante e  as melhores pontuações de quem conseguiu permanecer após as provas. 

Claro que tanto investimento não ficou imune de um merchan dos produtos da Samsung, atual patrocinadora do BTS, parceria que trouxe o Galaxy S20 e o Galaxy Buds (fone de ouvido sem fio) + BTS Edition. 

Fonte: Foto Reprodução/ Mnet

Como acontece?

Os 23 participantes foram levados para o complexo I-Land, que é localizado no meio de uma floresta, em um total de 113 dias. Os meninos, além de receberem orientações de canto e dança do Rain, Zico e Sungdeuk, vivem em um complexo de 3 andares, que oferece espaços como sala de estar, cozinha, banheiro, lavanderia, academia, sala de armazenamento de itens, terraço, estúdio de dança, salas de prática individual, centro médico e dormitórios coloridos. Porém, apenas 12 participantes podem ficar no local privilegiado.

O sistema de votação entre os participantes dá a liberdade de escolher quem eles acreditam ser o melhor para debutar, o que pode parecer uma solução para possíveis divergências dentro do grupo. Ter o poder da escolha evitaria brigas e a falta de afinidade com quem está trabalhando, facilitando a adequação do estilo e incentivando a produtividade em equipe e sintonia. Porém, isso não pôde ser notado pelo telespectador,  que vê a votação sair desses critérios.

Para Douglas Chagas Leal, de 29 anos, publicitário e membro do B-Armys Acadêmicas (BAA),  esse cenário ainda sem espírito de equipe é algo que o instiga a assistir o I-Land:

“Vejo uma certa frieza no momento de produzir os concorrentes e como o programa levou a narrativa nesse primeiro impacto. Tenho sentimentos conflitantes com o programa, mas acredito que isso seja o intuito da produção que quer nos manter em estado de atenção e instigar o nosso envolvimento constante durante as lives do programa”. 

Porém, para Carol, esse conflito de interesse começou a preocupá-la, pois manter os membros mais próximos pode ser um problema para a final do reality e a qualidade do grupo que irá debutar. “Começou a me incomodar demais já no terceiro episódio, porque percebi que mesmo que essa seja uma boa ideia, também é uma péssima ideia e por um simples motivo: os I-landers não entenderam o real sentido dessa oportunidade de escolha”, diz a estudante. 

No dia 23 de Julho, a produção irá iniciar sua votação popular, levando em conta ainda a escolha dos jurados e dos I-Landers. A participação do público, que já conseguiu conhecer melhor o perfil de cada participante, pode ser fundamental para a final do reality, já que alguns dos membros são conhecidos por trabalhos anteriores, como: Niki, o I-Lander que já se apresentou ao lado do grupo renomado SHINee e Taki com seu talento e carisma. Ambos já possuem fanbases de apoio na internet. 

Excluídos?

Os 11 trainees restantes ficam no “Ground”, um edifício simples com um estúdio de dança e área de jantar. Eles não moram nesse local, portanto, precisam ir e voltar ao prédio diariamente para treinar. 

O edifício possui duas seções conectadas através de um portão, onde as habilidades dos trainees são testadas. Uma parte essencial do conceito do programa é que as decisões dos participantes desempenham um importante fator: eles decidem através da votação quem permanecerá na I-Land (parte superior) e quem descerá ao Ground (parte inferior).

À esquerda, bloco maior, I-Land, e à direita, bloco menor, Ground.
Fonte: Foto Reprodução/ Mnet 

O reality não apresenta eliminações reais até o momento, mas conta com 12 participantes finais, os demais que ainda estão no Ground, não estrearão. Os trainees que estão no I-Land podem ser descartados e rebaixados para o solo, e os do solo, ascender para o I-Land.

Essa mesma proposta de divisão entre os privilegiados e aqueles de menos sorte também foi usada no reality conhecido por debutar o grupo da JYP, Twice. O programa intitulado Sixteen privilegiava aquelas que mais se destacavam e quem obtinha uma pontuação rasa — quando não era eliminada — era designada a condições menos favoráveis, o que as fazia treinar três vezes mais para superar a concorrência que tinha mais recursos. Assim, o I-Land segue esse mesmo padrão, algo similar que também pudemos ver no Big Brother Brasil 2020. 

[Fonte: Soompi, I-Land Official Website, Youtube]

O novo sonho do K-pop? 

Com o sucesso do BTS e TXT em destaque em todos os portais e plataformas, é esperado que a demanda para audições para BigHit cresça consideravelmente. Jovens de todos os lugares, que antes vislumbravam empresas mais tradicionais, hoje procuram conseguir a mesma visibilidade que esses grupos, sendo os mais bem sucedidos da atualidade. I-Land só reafirma essa lógica, mostrando uma produção mais pensada, profissional e futurista para o conteúdo do entretenimento sul-coreano, como uma fonte de exportação do seu soft power

Recentemente, a Big Hit tornou empresas como a Pledis (Seventeen e Nu’est) e a Source Music (Gfriend) suas subsidiárias. Ao se tornar a maior acionista, os grupos continuam sendo administrados por suas respectivas empresas, assim como os I-Landers, onde os participantes em sua maioria pertencem a CJENM. Sendo assim, a empresa do BTS é responsável apenas pelo setor criativo, porém com grande poder de divulgação ao vincular o reality ao seu nome. 

Esse fato frustra a estudante Carol, que acredita que a Big Hit perdeu a oportunidade de lançar um grupo originalmente seu, através de um programa de sobrevivência que vem crescendo durante o isolamento social no exterior. “Eu ainda sinto que o grupo poderia ser muito mais se fosse da empresa de fato. Não só porque apenas o BTS e o TXT são da empresa, mas porque a BH nunca fez um survival, nunca enviou trainees para esse tipo de programa e se pararmos para pensar, muitos trainees da Big Hit não devem nem sonhar com uma data para seu debut, porque a empresa é extremamente restrita para o lançamento de grupos”, explica Carol ao BAA. 

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