Bring the Soul: Jimin – O encontro com a arte através da dança

Foto Divulgação: Invictus

Por: Catharina Maciel e Gabrielly Guimel
Revisado por: Naomi e Laís

Em comemoração ao aniversário do nosso pequeno mochi, Park Jimin, o Painel Arte se junta novamente ao Painel Olhar, após a colaboração que resultou no texto de Mono, para trazer uma conexão da arte com a dança por meio de uma análise aprofundada da carreira do talentoso artista.

Foto Divulgação: Twitter

Para traçar uma parte da trajetória do astro Park Jimin, começaremos com algumas curiosidades. Nascido no dia 13 de outubro de 1995, o príncipe do Bangtan possui um irmão mais novo chamado Park Ji-hyun. Seu primeiro contato com a dança foi através do popping,  durante a 8ª série do ensino fundamental. Desde lá,  tornou-se ativo nesse cenário em Busan. Ao longo do tempo, Jimin aperfeiçoou suas habilidades e venceu inúmeras competições de talento, aprimorando gradualmente sua técnica na dança e no canto.

O popping continuou presente em sua trajetória na dança, principalmente durante o segundo ano do ensino médio, época decisiva para Jimin, pois foi nela que ele passou a ficar interessado na carreira artística após ter assistido uma apresentação do cantor Rain. Em seguida, Jimin foi para o Departamento de Dança Contemporânea da Busan Arts High School, motivado pela sua professora, que lhe recomendou fazer um teste. Foi em 2011 que o jovem artista ingressou na gravadora Big Hit Entertainment, após ter feito uma audição bem sucedida com a canção I Have a Lover

Foto Divulgação: Twitter

Segundo a revista sul-coreana Ize Magazine, publicada em 2013, Jimin já teve apelidos como Baby J, Baby G e Young Kid. Ele também contou que se encontrava com os pais duas a três vezes por ano e se preocupava muito com o próprio peso e a aparência do seu abdômen.

Considerando todo processo evolutivo do cantor e dançarino ao longo da carreira, acreditamos que a dança foi um dos fatores que mais contribuíram para que Park Jimin tivesse seu encontro com a arte e esta pudesse se manifestar em seus gestos corporais, expressos nas coreografias.

A coreografia é extremamente importante na indústria do K-pop. É ela quem sustenta a narrativa visual e musical até o momento dramático, geralmente o refrão. Cada faixa-título é acompanhada por uma coreografia inédita. Dentro dessa coreografia está o point dance, movimento que geralmente é realizado no início do refrão e respalda todo o resto da sequência, sendo, por isso, o que mais se destaca.

Assim como a música, que engloba diversos gêneros (hip-hop, R&B, eletrônico, rock, baladas, etc.), a dança também se inspira em diversos gêneros. Ela é influenciada diretamente pelos ritmos e passeia por diferentes estilos tais como hip-hop, club e jazz. Logo, é difícil categorizar a “dança K-pop”, pois ela é uma grande fusão de estilos. May J. Lee, coreógrafa e integrante no 1Million Dance Studio afirma que os mais variados “tipos de danças e movimentos podem ser descobertos em uma coreografia no K-pop”.


Antes de um grupo ser lançado (debut), existe um árduo trabalho de pesquisa de mercado e de público para definir, dentre outras coisas, qual conceito o grupo deverá seguir. No caso de Park Jimin, ainda que ele já tivesse experiência com popping e dança contemporânea antes do debut, em seu período como trainee ele precisou cumprir uma dura rotina de aulas e ensaios para aprender os diferentes estilos e expandir seu repertório de dança. 

Com o treinamento, sua capacidade de controle corporal e técnico evoluíram paulatinamente. Luana Delvito, professora formada em Ballet Clássico com experiência em diversos estilos, avalia que a maior evolução no idol que pode ser percebida é a precisão dos movimentos e o domínio sobre o corpo, mesmo diante das diversas técnicas e estilos empregados por ele ao longo de uma coreografia. “Jimin possui  um grande fundamento do ballet contemporâneo e moderno mas, por ele seguir o caminho do street dance, precisou “quebrar” essa técnica e o fez muito bem”, diz Delvito.

Jimin antes de debutar em uma apresentação de dança contemporânea – acesso em https://youtu.be/PzSCllAxnlE)

No MV de  No More Dream)



Os vídeos acima ilustram um pouco da evolução de Park Jimin logo no início da carreira. Além de uma maior precisão nos movimentos, houve um avanço na compreensão da sua consciência corporal e de suas emoções. Com a melhora, o artista passou a mostrar mais versatilidade de habilidades, soube entender qual sentimento colocar em cada ação, qual intenção e energia colocar em cada movimento. 

“Uma boa coreografia deve ser como a peça que faltava no quebra-cabeça, deve ser algo que se  encaixa na música, em sua letra e na voz do cantor”, afirma a coreógrafa May J. Lee.

A expressão corporal, bem como a facial, compõe um dos principais diferenciais na dança, sendo também uma das principais qualidades no Jimin. Suas performances são sempre intensas e carregadas de emoções. Essa característica é comum aos artistas que ensaiam horas a fio para dominar as técnicas, bem como aos coreógrafos, que ensinam os seus alunos. “Fazemos muitas pesquisas sobre como adaptar o melhor desempenho do artista, independentemente do gênero”, afirma Choi Young Jun, vencedor do Prêmio de Coreógrafo do Ano no 2017 Mnet Asian Music Awards e membro do 1Million Dance Studio. “Acho que a paixão é o mais importante. Sempre digo que você pode melhorar na proporção da sua paixão”.

O background da dança contemporânea influência e coopera para essa intensa expressividade que Jimin aplica nas suas performances. Sua capacidade de expressão pode ser encontrada até mesmo no olhar. Ele “veste” muito bem os personagens, interpretando cada música, a mensagem passada por ela, o sentimento e o conceito.


Neste texto, você irá encontrar análises e perspectivas sobre a evolução do trabalho de Jimin como bailarino e cantor do BTS ao longo do tempo, a começar pela Trilogia Escolar, culminando na era temática de Wings.  


School Trilogy

Em seus dois primeiros álbuns, 2 COOL 4 SKOOL e O! RUL8,2 ?, o BTS cantou sobre os sonhos e a felicidade dos adolescentes por meio de canções que falavam de jovens sem sonhos e escolas que impõem aos alunos um pensamento rígido e homogêneo, segundo a sinopse do site da Big Hit Entertainment. Essa mensagem penetrou os corações e mentes dos jovens e culminou no grande apoio que o BTS recebeu dos fãs de sua faixa etária. Assim teve início a carreira dos jovens garotos que desde cedo foram estimulados a participarem diretamente da elaboração de suas canções, a fim de garantir que elas refletissem a realidade dos fãs de música e de sua própria geração. 

Foto Divulgação: Big Hit Entertainment 

Vamos começar falando do primeiro passo de tudo em “No More Dream”. Nessa época, os Bangtan Boys em formação de um grupo de hip hop inauguram a sua jornada seguindo a vibe do hip hop dos anos 90, perguntando para o público “Qual é o seu sonho?”, indagação que, particularmente, acredito estarem fazendo a si mesmos, uma vez que, como mencionado na página da Big Hit Entertainment: “O hip hop é uma música genuína para contar a própria história”. 

No More Dream aparece então como uma canção que resgata a força na alma da juventude através de raps agressivos. Com uma expressão de raiva e frustração, o BTS se demonstra indignado com todo o sistema que um jovem precisa passar para alcançar o seu sonho. É uma música vivaz para um debut. Enquanto muitos cantam sobre amor e relacionamentos, os escoteiros à prova de balas falam “Acorda! O que vocês estão fazendo da sua vida? Parem de mentir para si mesmos!”. Sabe aquela sensação de que a gravidade nos propulsiona em um puxão? Essa é, para mim, a música do BTS, a realidade em forma de poesia, que muitas das vezes parece bruta como a adolescência, mas feroz como a juventude.

De acordo com a coluna da Billboard “BTS’ Most Political Lyrics: A Guide to Their Social Commentary on South Korean Society”, a música e a política andam juntas e na indústria da cultura pop sul coreana não seria diferente, principalmente porque as estrelas “idols” são incentivadas a participarem de eventos ligados ao governo. Porém, mesmo relacionados às questões políticas, os artistas raramente abordam esses assuntos diretamente em suas músicas, normalmente relacionadas a romance, festas e, ocasionalmente, amizade e vida diária. Mas com faixas e significados socioeconômicos, o BTS se apresenta como uma banda que aborda esses assuntos regularmente, incorporando em suas letras críticas à sociedade sul-coreana nelas.

Tecnicamente falando, No More Dream é uma música embebida no hip hop underground, com riffs de baixo trabalhados, como se estivéssemos cercados, ou em uma redoma, melhor, sendo intimidados, afrontados. As palmas de fundo também dão uma alusão de contagem regressiva ao bote. Pelo que seremos atacados? Os flows são proferidos em nuances de escárnio e deboche, principalmente nas modulações que o hip hop sul coreano traz em suas linguagens, que dão à canção um toque a mais. O sino escolar tocando como um alarme, seguido da virada perfeita do coro para o refrão. Os contratempos marcados oferecem o melhor do “La la la la la ni kkumi, mwoni ni kkumi, mwoni mwoni?”, da juventude em festa pela liberdade de poder ser ela mesma. A voz do Jimin, ainda que fosse inexperiente em questão de técnica, já mostrava nessa época indícios do que poderia vir a ser futuramente, em especial, a habilidade de cantar em diversos tipos de extensões vocais. A sonoridade doce de sua voz em contraste com o instrumental pesado do old school aflorava os diferentes tons musicais que o Bangtan nos oferece atualmente.

Já a dança carrega sentimentos de raiva, frustração e insatisfação e o MV transmite isso através de movimentos como quando Jimin aponta o dedo para a câmera com uma expressão facial fechada. A coreografia acompanha as batidas pesadas da música, apresentando algumas características típicas do hip hop como é possível ver a postura de Jimin próxima ao chão, com os joelhos amplamente flexionados, permitindo maior liberdade de movimento e impulso do quadril.

Trecho do MV de No More Dream)

The Most Beautiful Moment in Life

Após o sucesso da Trilogia Escolar do Bangtan, a boyband retorna com conceitos líricos completamente renovados. Na era de The Most Beautiful Moment in Life, o grupo prova mais uma vez sua aplicabilidade e versatilidade a qualquer tipo de gênero. Vemos em cada faixa uma manifestação de lições poéticas dentro do contexto mais pop adquirido nessa nova fase do septeto. Na sinopse de discografia do site da Big Hit Entertainment, consta que o BTS escolheu o tema “o momento mais bonito da vida”,  para retratar o início da juventude adulta, período no qual a beleza coexiste com a incerteza. Assim, temos não somente um avanço para uma nova etapa, mas também a conquista de um novo horizonte artístico para o grupo.

E como não falar de I Need U que, segundo matéria da Billboard intitulada “Songs That Defined the Decade: BTS’ ‘I Need U‘”, está entre as 100 músicas que definem a última década, sendo o BTS o centro da narrativa dos últimos atos musicais não ingleses dentro da indústria internacional. Canção  divisora de águas do grupo para a ascensão na carreira mundial, I Need U lhes rendeu a primeira vitória em um programa de música sul-coreana, o The Show, da SBS MTV, prêmio considerado importantíssimo para a indústria idol da Coreia do Sul.

Foto Divulgação: Naver.

Jimin estava crescendo e, felizmente, o BTS também. O sucesso de I Need U‘ foi enorme: segundo dados do Naver, buscador mais utilizado na Coreia do Sul, a canção se tornou o assunto mais pesquisado em sites de portal coreanos e ficou em primeiro lugar em várias paradas musicais em tempo real, dentre elas, Soribada, Genie e Daum Music. Além disso, também quebrou o top 10 do Melon, do Bugs e as paradas musicais em tempo real da Naver Music. O single estreou em 5º lugar em ambos os charts do Gaon Weekly Digital Chart e do Gaon Download Chart, com 93.790 unidades digitais vendidas em sua primeira semana e acumulando mais de 850.000 downloads digitais.

Foto Divulgação: Big Hit Entertainment

Música melodicamente que traz uma sensação de desânimo nos primeiros versos,  surpreende ao engrandecer nos momentos seguintes, como uma energia que começa a ser recarregada e enxertada de forma dançante. Além de vocais expressivos, vemos o que o Jimin tem a nos oferecer não somente como um excelente dançarino e performer, mas também  como um vocalista promissor. Esta era traz, ainda, uma construção narrativa orgânica das faixas, nas quais percebemos sons mais limpos, apesar do uso de alguns sintetizadores que foram aplicados de forma para complementar e não ser o fator principal do álbum. Trata-se de um som pop eletrônico mais ambiental, como no Prologue por exemplo, com o uso de chimbais reverberantes e riffs inspirados em R&B


Já na coreografia de I Need U, utilizada nas performances, podemos ver como Jimin executa de uma forma muito fluida, contínua e sinuosa os body rolls, marcando e “exagerando” bem as ondas que faz com seu tronco. Nessa parte, também é possível observar como ele faz a transição de quando está de pé para ajoelhar e volta a ficar de pé, isso requer uma certa força e Jimin faz toda a passagem suavemente, sem demonstrar esforço, e ao mesmo tempo bem sincronizado e preciso na música, marcando bem a ondulação quando levanta.

Dance Practice, acesso em https://www.youtube.com/watch?v=hvUZb9NT7EY&t=154s&ab_channel=BANGTANTV


Wings
O BTS foi crescendo juntamente com a sua narrativa transmídia, intitulada Bangtan Universe, que teve início na era de The Most Beautiful Moment in Life e segue seu percurso na era Wings, baseada na literatura ganhadora do prêmio Nobel, a obra Demian, de Hermann Hesse. Esta era contém canções sobre meninos que encontram a tentação pela primeira vez e agonizam diante dela enquanto experimentam a dor e o êxtase, em uma alusão a pássaros que saem de suas conchas e tentam voar pela primeira vez: é o desejo que traz a liberdade. 

Em entrevista ao portal sul coreano News G,  Jimin diz que Lie é “uma música que tenta escapar das mentiras e da tentação”

Com uma introdução orquestral, a canção traz um ar todo dramático à história interpretada por Jimin, O sample de base utilizado foi o da canção de La Vida Breve de Manuel de Falla do ano de 1904. 

(Ouça o comparativo com o hiperlink “La Vida Breve” e a canção no Spotify)

Traduzida ao português em “Vida curta”, o personagem interpretado por Park Jimin entra em uma constante sonata de questionamentos sobre si e o seu valor à vida. Como o  mesmo disse, o abraço do trauma o percorre por inteiro ao ponto de duvidar da realidade, pois sua sanidade está sendo vigiada, como podemos ver no short film.

Foto Divulgação: Tumblr

Lie é apresentada ao estilo hipotético de que se o orquestrante Beethoven fizesse uma canção funk no século XVI, Lie seria uma delas. Ela é escorregadia, sedutora e envolvente, principalmente aos sons de sussurro de fundo como uma poesia gótica, contratempos marcados em suspiro constante, rítmica, pausada até o ponto auge do refrão. Ali Jimin grita, não para o mundo, mas para si mesmo: “Eu sou um mentiroso? Tiraram a minha inocência? Não quero enxergar aos olhos do mundo adulto, pois crescer dói”. 

Em termos de voz, Park Jimin é classificado musicalmente como tenor lírico, região vocal que normalmente é usada por cantores de ópera por terem um alcance de espaço expressivo. É uma voz mais rica em harmonia com um timbre mais cheio, ou seja, ela possui uma característica sonora que permite distinguir sons que possuem a mesma frequência, altura e intensidade, mas com ondas sonoras diferentes. É a mais completa manifestação de um cantor, é a identidade dele na música. Contextualizando com toda a estética de orquestra inserida em Lie, a voz de Park Jimin casa harmoniosamente com a difusão (classical e funk) do gênero musical proposto. 

Foto Divulgação: Big Hit Entertainment

O mistério de Lie

A coreografia de Lie, criada por Markus Pe Benito, é onde Jimin pode mostrar toda a sua versatilidade e habilidade em combinar diferentes técnicas. É uma dança na qual se identifica elementos como waving, locking e popping simultaneamente à dança contemporânea. Pelo intenso background do idol na dança moderna, na contemporânea e no ballet clássico, ainda que ele faça movimentos das danças urbanas, o corpo dele é carregado de traços do ballet, como algumas posições de mãos e pés, bem como sua postura ereta e linhas alongadas.


“É interminável, mesmo se eu tentar fugir
Eu caí em uma mentira”.


Na narrativa da música, juntamente à coreografia, Jimin está tentando contar uma história com seus movimentos e expressões faciais, emoções essas que definitivamente tirou da sua formação em dança contemporânea. Essa formação é responsável pela forma que ele alonga os braços para cima na tentativa de fugir, e no uso de técnicas empregadas como contrapeso e transferência de peso para interpretar e entregar a mensagem.


Performance: (acesso https://www.youtube.com/watch?v=MfIzzRSH5wE&list=WL&index=17&ab_channel=TanviS)

“A interpretação dele é sobre detalhes, se isolarmos uma parte do seu corpo e analisarmos apenas este pedaço dá para conseguir sentir sua mensagem, que é forte, mas sem ser caricata, mostrando a profundidade da letra”, diz a professora de ballet Luana Delvito.


Em muitos momentos podemos ver movimentos que refletem esse “Eu caí em uma mentira”, quando seu corpo se encontra no nível médio, ou seja, perto do chão, mas sem chegar nele. Ele também marca muito bem o bounce na batida da música, mesclando os dois acentos (um no meio e o outro mais forte no final), o peso forte (para baixo) com contratempo da batida onde o peso é leve (para cima).

A faixa apresenta uma melodia sedutora e sinuosa e os movimentos de Park Jimin conseguem transmitir essa suavidade, com passos muito fluídos e gestos precisos e marcantes. O significado da música praticamente guia os seus movimentos, como podemos ver no gif abaixo. Vemos a fluência, quando um movimento se conecta ao outro, passando a sensação de fluidez, como quando ele utiliza o peso do próprio corpo no braço sem fazer força, apenas o acompanhando. Observe também a sua emoção e interpretação até mesmo no seu olhar.

Performance (acesso https://bit.ly/317tfXX)


No início da performance quando ele está esperando a música começar, já existe uma imersão no personagem, onde ele se prepara  para entregar uma experiência para o público.  É como se Park Jimin fosse uma “personificação” expressa da música. No MV, assim como na performance, os sentimentos de luta interna e angústia já podem ser notados: o giro com o pescoço e as mãos o sufocando representam essa mensagem.

Performance (acesso https://bit.ly/317tfXX)


Também é possível  observar a sua postura oriunda do ballet, com seus ombros para trás, peito aberto e coluna alinhada (postura correta nesse estilo: quando se vê de lado, se imagina um desenho de linha reta da cabeça até os pés), que o permite estar preparado para fazer qualquer movimento necessário e  permanecer estável.

Em sequência, vemos Jimin executando movimentos de waving, onde ele faz “ondas” com seus braços e corpo. Essa técnica cria a ilusão de ondulação, como uma energia passando por todo o seu corpo. Existem diferentes tipos de “ondas”, algumas mais fluídas, criando a sensação de “não ter ossos”, até algumas mais mecânicas. Essas ondas começam por uma das extremidades do corpo (embaixo ou em cima), passando pela cabeça, tórax, abdômen e quadris. Para conseguir realizar esses movimentos, é necessário aprender a isolar cada parte do corpo.


Performance (acesso https://bit.ly/317tfXX)

Podemos observar que ele domina muito bem as técnicas de popping. Nesse mesmo gif, é possível ver o domínio dos movimentos que ele possui, pois na sequência vemos Jimin interrompendo as ondas, fazendo pequenas “paradas”, empurrando o peito para fora e soltando, de forma vigorosa, “quebrando” essa fluidez, o que deixa a coreografia mais dinâmica.

Popping é bastante difícil de dominar, se baseia em contrair e relaxar os músculos, criando a ilusão que seu corpo está saindo do lugar. Ela pode ser feita com diversas partes do corpo e, com treinamento e evolução é possível aprender a isolar cada músculo com mais precisão, refinando os movimentos sem torná-los exagerados, e Park Jimin faz isso muito bem.

Outra bagagem vinda do ballet e que podemos notar em diversos momentos da coreografia são as suas linhas e posições dos seus pés e mãos, prestando atenção à conexão de cada parte de seu corpo, por exemplo, como o antebraço se conecta ao pulso, o pulso à mão, mantendo seus movimentos  artísticos e estéticos.

(Jimin no behind the scenes do short filme ao lado quinta posição de pés no ballet clássico)

Outro momento no qual ele combina as técnicas é na sequência a seguir, quando realiza um movimento similar a uma pirueta em attitude derrière (reproduzida em seguida).


(acesso https://bit.ly/317tfXX)

Tanto no short film quanto nas suas performances, quando está vendado, Jimin mostra todo o domínio e controle que tem sobre seu corpo, pois coloca muita energia e paixão em movimentos que poderiam desestabilizar alguém que não tem a técnica aprimorada como ele. 

Ele também mostra toda a sua habilidade quando, mesmo vendado, se mantém estabilizado durante a performance. Um dançarino precisa de seus sentidos para se orientar em relação ao espaço e aos outros bailarinos, mas nesta apresentação, Jimin dá pulos, orienta sua posição no palco mesmo sem seu sentido visual e isso é extremamente difícil.


“Fique longe de mim
Algo, por favor, me salve
Por favor, me salve”.


Nessa parte, podemos observar que até mesmo sua expressão manifesta a letra da música e expressa sua vontade de se libertar e ser salvo, mas se encontra preso, sendo segurado pelos outros dançarinos. Assim, vemos que Park Jimin é um artista completo, que interpreta e representa a música com muita paixão.

Park Jimin foi o gancho principal para a minha entrada no army e no Bangtan Universe. Lembro quando tive uma experiência completamente sensorial ao assistir o MV de Blood Sweat & Tears e entrei em choque ao ver a figura dele como um bailarino e cantor de uma voz excêntrica e misteriosa. Jimin tinha muito mais a me oferecer do que eu poderia imaginar, ele me desconstruiu, me refez e me ressignificou perante a diversidade, seja ela pessoal ou artística. Ver o seu processo de evolução não somente no BTS, mas também como pessoa é algo de se orgulhar. Os pés dele podem estar no topo, mas o coração está com a gente. Multitalentoso e disciplinado, comprova que o legado de Park Jimin juntamente ao Bangtan Sonyeondan é eterno. Espero que tenham gostado da análise que o Painel Olhar e  Arte fez com carinho para vocês e feliz aniversário ao nosso pequeno Mochi 🙂 <3 Gabrielly Guimel.

Fim.

Glossário


Waving: Técnica que cria a ilusão de ondulação como uma energia passando pelos dois braços (de um lado para o outro) ou por todo o seu corpo. Existem diferentes tipos de “ondas”, algumas mais fluídas, criando a sensação de “não ter ossos”, até algumas mais mecânicas.

Locking: Consiste em movimentos de travamento, ou seja, congelar a partir de um movimento rápido e “travar” em uma determinada posição, mantendo essa posição por um curto período de tempo e depois continuando na mesma velocidade de antes.

Popping:Técnica que consiste em movimentos de contração e relaxamento dos músculos, criando a ilusão de que seu corpo está saindo do lugar, sendo considerada como  uma batida. Pode ser  realizada no ritmo da música e combinada a diversas poses.

Contratempo: Na música, é um deslocamento do acento métrico natural do compasso onde o acento que seria no tempo forte (naturalmente) acontece no tempo fraco.

Extensões Vocais: No canto, podemos classificar as vozes em categorias diferentes de acordo com a extensão de notas que conseguimos emitir, ou seja, até onde conseguimos alcançar do mais grave até o mais agudo. Essa extensão de notas que conseguimos cantar pode ser chamada de classificação vocal, ou também de extensão vocal.

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