Projeto 7 Cores: Por trás da ótica da ilustradora

Foto de reprodução Diamoond Fox

Equipe Arte

Olá, artistas do BAA, como vocês estão? Esperamos que bem! No texto desta semana, iremos apresentar parte do processo artístico de um projeto desenvolvido pelo @projetosetecores com a ajuda de várias artistas. A intenção era presentear o BTS na vinda ao Brasil em 2019 durante a Speak Yourself, contudo, vale lembrar que o projeto foi uma tentativa e não tivemos a garantia quanto à entrega dos presentes. Mas a intenção da equipe é o que conta! Queremos que com este texto vocês possam entender um pouco mais sobre os processos da ilustração e a forma que os artistasse expressam através do desenho.

Juliana Follador (Diamoond Fox) e Catharina Maciel
Revisado por: Laís Nahara e Karen Naomi Aisawa 

A experiência da criação de um projeto coletivo realizado pelo fandom B-Army 

Vale lembrar que os processos, em qualquer atividade, são etapas muito particulares. Posto isso, nesse texto,  a Juliana — ilustradora — partilhará um pouco da experiência que teve ao participar desse projeto coletivo desenvolvido por ilustradoras  de todo o país. Confira a seguir:

Fui convidada a participar do projeto pela Luana,  uma das organizadoras na época. Sendo uma iniciativa do fandom, o projeto foi desenvolvido de forma voluntária.  Eram 31 ilustradoras trabalhando no desenvolvimento de 7 baralhos,  cada um representando uma cor do arco-íris (exceto pela substituição de um dos azuis pelo rosa).

Foi-nos passado um briefing* explicando o que precisaríamos fazer: Cada ilustradora tinha a responsabilidade de desenvolver 12 ilustrações  para compor um naipe. No meu caso, fiquei responsável pelo naipe de copas do baralho alvorada, seguindo o conceito de You Never Walk Alone. Em seguida, irei  compartilhar mais sobre o meu processo de criação.

O meu primeiro passo foi definir como os integrantes seriam distribuídos pelo número de cartas. Posteriormente, pensando em todas as ideias, fui atrás do Photoshoot para decidir quais fotos seriam utilizadas como referência. No fim, optei por estas:

Foto de reprodução Big Hit Entertainment com intervenção da Juliana

Durante o meu processo de criação,  sempre desenvolvo as artes no modo “tradicional”, ou seja, desenho com papel e lápis, mas cada artista tem um método com o qual se sente mais confortável na hora de criar algo e não existe um jeito correto. Para mim, a etapa de Sketch* ou Rafe* serve apenas como uma base guia, que me ajuda a entender melhor as proporções e a composição do que eu quero ilustrar.

Rascunhos feitos no tradicional – Foto de reprodução Diamoond Fox

Com o Rafe pronto, passamos para o processo de digitalização, feito a partir de uma foto simples que tirada com a câmera do celular e finalizada no computador. Depois passamos ao processo de pintura e finalização, que também é  muito particular. 

Entretanto, na época em que fui convidada a participar do projeto, ainda estava começando a estudar pintura digital, e vocês acham que o resultado me agradou? A resposta é “não”, eu não fiquei feliz com o resultado primário, mas eu mandei daquele jeito mesmo, pois antes feito que perfeito. A insegurança quanto ao trabalho estava sempre presente, mas o comprometimento também, e tínhamos prazos a cumprir. Por isso, vale sempre lembrar que o processo de um artista está em constante evolução e nunca devemos nos colocar para baixo, mas aceitar que o nosso melhor de hoje é o nosso melhor de hoje, e tudo bem não atender às nossas próprias expectativas — às vezes elas podem ser altas demais.

Voltando para as ilustrações, obtive os seguintes resultados:

Artes finalizadas – Foto de reprodução Diamoond Fox

As artes precisavam ter uma medida e formato específicos para que as responsáveis pelo baralho pudessem enquadrar as artes nas cartas. Esse processo é chamado de diagramação*.

Então após todas as artistas entregarem suas artes e tudo ter sido diagramado, as responsáveis mandaram todos os arquivos para impressão em uma gráfica e o resultado final ficou maravilhoso!

Baralho impresso – Foto de reprodução Diamoond Fox

Após ter uma versão do baralho em mãos, toda aquela insegurança quanto ao meu trabalho ficou de lado, pois o resultado que obtivemos em equipe foi lindo e imaginar a possibilidade de os meninos carregarem consigo um objeto feito com tanto amor pelas B-Armys é incrível. Mesmo sem saber se eles o receberam de fato, ter participado do projeto foi uma ótima experiência para mim. E como já citei ali acima,  nós, artistas, estamos em constante evolução. Por isso, antes de  acrescentar as artes ao meu portfólio, decidi corrigir alguns  detalhes  que não me agradavam. O resultado são as artes de capa deste texto!

Artes corrigidas – Foto de reprodução Diamoond Fox

Não existe uma fórmula mágica para ser bom em algo, precisamos nos manter em treinamento e aprendizado constante. O desenho e a ilustração, que hoje fazem parte do meu dia a dia, consistem em muitas tentativas e erros, assim como muitas tentativas e acertos. E aquilo de que mais me orgulho como artista ao ter participado desse projeto foi de não ter desistido na metade do caminho por não me considerar boa o suficiente.

Participar do Sete Cores foi algo indescritível na minha vida, afinal, o BTS sempre teve esse significado artístico para mim, que vai muito além do que consigo explicar em palavras. Por isso, gosto de utilizar o desenho e a ilustração como formas de demonstrar um pouco mais desse afeto.

Ao corrigir os desenhos, utilizei o significado das cores do arco-íris para expressar o fato de que o BTS é o arco-íris que por muito tempo se manteve colorindo o meu mundo que estava em preto e branco e, graças a eles, hoje me sinto uma artista que também pode colorir.

Então, com isso, finalizamos o texto e gostaríamos de deixar uma mensagem especial da equipe de Arte do BAA: Arte é algo subjetivo, mas que pode ser utilizado e aplicado em vários projetos e profissões dependendo da forma que é explorada. Ao trabalhar com artes no geral, os desenhos e ilustrações podem facilmente causar insegurança, mas vale ressaltar que toda forma de criação é válida e merece ser respeitada, inclusive por nós, os criadores. Não sejam tão críticos consigo mesmos, se permitam errar e respeitem o seu próprio tempo: somente assim poderemos evoluir nessa jornada que é lidar com a expressão através da arte. 

Se expressem.

Face Yourself (enfrente-se)
Love Yourself (ame-se)
Speak Yourself ("fale-se")

Até o próximo texto, Equipe de Arte.

GLOSSÁRIO

  • Briefing*: é um conjunto de informações ou uma coleta de dados passados em uma reunião para o desenvolvimento de um trabalho ou projeto.
  • Sketch ou Rafe*:  esboço, rascunho.
  • Diagramação*: ato de distribuir os elementos gráficos no espaço limitado da página que vai ser impressa.

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