‘Connect, BTS’: ‘Catharsis’, uma imersão pela arte até o futuro

Jakob Kudsk Steensen, Catharsis, Serpentine Gallery, London
Fonte: CONNECT, BTS

Por: Catharina Maciel e Nathalia Mutz
Revisado por: Naomi e Rafaela Silva


Olá, pessoal! Estamos de volta!

A partir do ano de 2020, a pandemia gerou muitas reflexões acerca do modo de como as pessoas expressam o que estão sentindo, como elas se comunicam, conectam-se umas às outras e como re-interpretam e experienciam suas vivências em relação ao mundo e aos espaços que agora estão limitados.Por isso, e por ter completado um ano de lançamento recentemente, hoje vamos tratar sobre o Projeto ‘CONNECT, BTS’, inaugurado em 14 de janeiro de 2020, que comoveu o mundo do army e da arte. Pontuamos em especial, a exposição ‘Catharsis’, que aborda alguns desses conceitos desde a escolha do artista em usar videoarte como forma de comunicação artística à de imersão.

‘CONNECT, BTS’ fez parte do cronograma para o comeback do álbum ‘Map of the Soul: 7’ e foi lançado em janeiro de 2020 sob a direção global do curador Daehyung Lee. A mostra contou com a participação de 22 artistas e ocorreu em 5 cidades: Londres, Seul, Nova Iorque, Berlim e Buenos Aires. Foi um projeto global que reuniu uma série de grandes projetos de Arte buscando incentivar os espectadores a refletirem sobre as “redefinições e as relações entre a arte e a música, o material e o imaterial, os artistas e seu público, os artistas e outros artistas, a teoria e a prática” (tal como citado no próprio site do projeto).

É importante ressaltar o fato de que as exibições foram gratuitas e abertas ao público, pois muitas vezes o acesso à arte é considerado difícil e, de certa forma, elitista, o que acaba gerando a ideia de que apenas algumas pessoas e/ou “conhecedores” da área podem compreender o significado das obras. Essa dificuldade de acesso à arte muitas vezes leva o público em geral a se perguntar: “O que é Arte Contemporânea? O que significa a obra?” 


Com o ‘CONNECT’, o BTS ampliou o acesso à informação através de lives e entrevistas realizadas com os membros e com os artistas, que falaram sobre as obras apresentadas e seus processos criativos. Essa abertura ao público também é evidenciada por algumas exposições como o ‘Catharsis’ (Jakob Kudsk Steensen) e o ‘Fly to Aerocene Pacha’ (Tomas Saraceno) que por exemplo, foram transmitidas online e ficaram disponíveis em rede por algum tempo, tornando possível o acesso a pessoas que não puderam comparecer presencialmente no evento.

“A capacidade do BTS de falar significativamente com pessoas de diferentes origens culturais, classes sociais, etnias, gêneros e identidades fala, por sua vez, ao objetivo de longa data da arte moderna de transcender fronteiras imaginárias, rompendo e criando um novo espaço expressivo”
— Daehyung Lee, diretor global do Projeto (Fonte: NME Magazine, 2020).

De acordo com Campbell (2020), o grupo sul-coreano provavelmente não são os primeiros artistas musicais a fazerem um projeto colaborando com artistas visuais contemporâneos, mas são os primeiros a realizarem um projeto em uma escala tão grande. Também não é novidade o fato de que o BTS inspira as pessoas e instiga-as a agirem, a se exercitarem e a se expressarem à sua própria maneira, seja em algum espectro da arte ou não. Neste caso em específico, as ações do grupo podem ter alcançado um público que geralmente não consome arte e não frequenta museus, galerias ou exposições. Além disso, ao levar algumas dessas experiências para o ambiente digital de modo gratuito, muito mais pessoas puderam ter acesso às obras sem se preocupar com as barreiras econômicas, como o valor das viagens e dos ingressos.


“Sempre fomos inspirados pela capacidade da música de se comunicar através das fronteiras, o que não é muito diferente do que a arte faz”
— RM, na Conferência de lançamento na Serpentine Galleries, em Londres (Fonte: BBC, 2020).

A arte, assim como a música, precisa de um mecanismo de divulgação, pois trata-se de uma forma de comunicação focada em passar uma ideia, um pensamento, uma informação ou uma visão particular do artista. Através das letras de suas músicas, o BTS passa à frente suas visões do mundo, pensamentos e suas discussões atuais, que se espalham entre os ouvintes.

“Podemos nos conectar com as pessoas em extremos opostos do mundo, mas às vezes esquecemos de nos comunicar com nossos próprios vizinhos ou parentes. Estamos perdendo a solidariedade, nos esquecemos de como nos comunicar bem uns com os outros”
— Daehyung Lee, diretor global do Projeto (Fonte: The Guardian, 2020).

Uma das formas que a arte nos proporciona de nos conectarmos com as pessoas também se relaciona à maneira com que ela é apresentada ao público. Algumas dessas maneiras apresentadas para tal união são as galerias de arte e museus, áreas por onde os espectadores costumam encontrar essa conexão, pois têm o mesmo interesse, mesmo que no final do dia as reflexões sejam distintas para cada espectador. O projeto ‘CONNECT, BTS‘ traz consigo a ideia de nos conectar não somente às pessoas ou ao redor do mundo, mas também às que estão ao nosso lado, seja na galeria, observando uma obra, seja em um salão, acompanhando uma performance.


E é a partir desse entendimento sobre a conexão entre o público, a arte, o artista e o local que vamos mergulhar na exposição ‘Catharsis’. Em janeiro de 2020, o The Serpentine Galleries, em Londres, recebeu a instalação ‘Catharsis’, criada por Jakob Steensen com a colaboração de Matt McCorkle, um especialista em captação de som. Sendo um artista preocupado em demonstrar como a imaginação humana, junto à tecnologia e à ecologia se relacionam, em ‘Catharsis’ Steensen encontrou por meios da arte e da realidade virtual em grande escala, um modo de passar suas ideias para o espectador a em um ponto imersivo grande, como por exemplo com grandes painéis instalados na parte externa, na galeria Zaha Hadid, um dos espaços disponíveis na propriedade do The Serpentine Galleries, no meio de seus jardins, se difundindo em sua área verde.

Catharsis, 2020, The Serpentine Galleries, visão externa da instalação
Foto: Hugo Glendinning
Fonte: Jakob Kudsk Steensen – site
Catharsis, 2020, The Serpentine Galleries, visão externa da instalação
Foto: Hugo Glendinning
Fonte: Jakob Kudsk Steensen – site

Steensen criou, por meio de suas pesquisas em florestas norte-americanas, diversas texturas e espaços em 3D que não existem na vida real, mas que, de acordo com o artista, poderiam ser uma das possibilidades de um futuro, caso a juventude, o público-alvo do projeto, permitisse que a natureza evoluísse sem intervenção humana por centenas de anos. O espaço do The Serpentine Galleries não foi escolhido ao acaso, pois para abrigar um trabalho como o de Jakob Steensen, foi necessário encontrar um espaço que se comunique com o projeto.


“[a obra] funciona, pois a forma como ‘Catharsis’ foi exibida em Londres conversa com a arquitetura do local. Então eu tentei fundir com essas paisagens naturais mágicas” — Jakob Kudsk Steensen (Fonte: BANGTANTV, 2020).

Ao longo de toda a história da arte, o artista sempre se depara com um momento crucial no seu processo criativo: escolher onde sua obra será exibida e para quem. Ao contrário do que muitos pensam, a arte funciona em um ciclo que envolve o artista, a obra e o espectador. Para que esse ciclo se cumpra, é necessário escolher o lugar certo para expor sua arte, seja ela material ou imaterial, seja ela uma pintura ou uma performance. No projeto isso é crucial, pois um dos fatores importantes é a conexão do mundo por meio da arte contemporânea, tal como nos proporciona, intencionalmente ou não, a música do BTS.

Inicialmente focado em receber trabalhos e projetos arquitetônicos e tecnológicos, o Serpentine é um conjunto de galerias ao longo do Parque Hyde, que acolheu o projeto de Steensen no Pavilhão Serpentine, um dos locais específicos para instalações artísticas contemporâneas de multimídia. De acordo com Ben Vickers, líder da área de tecnologias do Serpentine, a escolha de exibição do projeto ‘Catharsis’ no Parque Hyde é peculiar, pois, assim como a obra, ele simula um ambiente natural, já que também significa uma natureza projetada.

Os painéis foram instalados do lado de fora do pavilhão, como grandes outdoors no meio do jardim, envolvendo-se com a natureza projetada do Serpentine e causando contraste com a floresta digital futurista criada por Steensen. Além disso, o projeto também contou com pequenos painéis instalados no lado de dentro do pavilhão, que acompanhavam outras obras do local e comunicavam-se com as obras do lado externo, atraindo novos visitantes. 

Catharsis, 2020, The Serpentine Galleries, visão interna da instalação
Foto: Hugo Glendinning
Fonte: Jakob Kudsk Steensen – site
Catharsis, 2020, The Serpentine Galleries, visão interna da instalação
Foto: Hugo Glendinning
Fonte: Jakob Kudsk Steensen – site
Catharsis, 2020, The Serpentine Galleries, visão externa da instalação
Foto: Hugo Glendinning
Fonte: Jakob Kudsk Steensen – site
Catharsis, 2020, The Serpentine Galleries, visão externa da instalação 
 Foto: Hugo Glendinning
Fonte: Jakob Kudsk Steensen – site

Jakob traz em seu trabalho uma reflexão ecológica indispensável: as florestas que ele criou digitalmente após estudar diversas florestas norte-americanas, simulam lugares intocados pela humanidade por séculos, uma experiência que visa unir os visitantes por meio de um passeio pelos lugares criados, e incentivar reflexões sobre o futuro da humanidade e do planeta. 

Devido à divulgação do projeto ‘CONNECT, BTS’ ser feita pela Big Hit Entertainment e pelo BTS, boa parte dos visitantes que aparecem nos vídeos é visivelmente mais jovem, atingindo o público-alvo da obra e fazendo as gerações atuais refletirem sobre a possibilidade de uma natureza livre de intervenções humanas e em completa harmonia. É importante reforçar o fato de que, para chegar até o público-alvo, os trabalhos artísticos precisam ser exibidos em lugares próprios, como as galerias físicas ou digitais, por exemplo, para que sejam acessíveis. Isso também acontece no caso da música, por exemplo, disponibilizada em plataformas de streaming e em outros serviços de multimídia. 


“A especulação de uma realidade fictícia e desses cenários sci-fi inspirou o BTS e Jakob Steensen na criação de seus mundos. Acho que essa é a ideia do BTS, de mudar o mundo através da arte e também acho que o BTS está muito interessado na ideia desolidariedade. Eu acho que nós precisamos de mais solidariedade no século XXI, algo que ambos os artistas se propõem”
— Hans Obrist, diretor de arte do Serpentine Gallery(Fonte: BANGTANTV, 2020).

O ‘Connect, BTS’, como o próprio nome já diz, busca conectar o mundo com a arte e a música. Para tanto, a escolha das galerias não foi aleatória: todos os lugares foram bem estudados e planejados para acolher os artistas e suas respectivas obras.


O objetivo principal do projeto é conectar indivíduos ao redor do mundo enquanto eles reavaliam suas atuais circunstâncias, atitudes e potencialidades
Daehyung Lee, diretor global do Projeto (Fonte: NME Magazine, 2020).

Esse tipo de reflexão sobre o acesso ao entretenimento se torna mais importante e necessário, com o início da pandemia, período no qual o acesso físico a museus, galerias e teatros se tornaram inviáveis e os artistas precisaram encontrar novas maneiras de alcançar o público e de se conectar. A possibilidade de acompanhar os vídeos da exposição virtualmente, bem como a forma com que o projeto foi divulgado mostram que a tecnologia e a arte se relacionam a favor da acessibilidade.

Mantendo sua tradição, o The Serpentine Galleries sempre carrega consigo a diversidade artística das inúmeras formas de alcançar o público: a ideia de promover uma exposição virtual para as pessoas é uma das maneiras que a sociedade encontrou de manter a conexão com o mundo da arte, já que inúmeras galerias e museus tiveram de fechar as portas por conta da pandemia.

(Jakob Steensen e seu parceiro Matt McCorkle durante a captação dos sons)

Sendo assim, os painéis instalados nos jardins projetados do espaço londrino exibem vídeos dessas florestas futurísticas, com sons captados por Matt McCorkle, trazendo uma simulação de uma realidade. De natureza calma e harmônica, ‘Catharsis’ é uma obra que bebe da fonte da Slow Media, termo derivado de Slow Food e Slow Fashion, que designa um modo literalmente lento de consumo da mídia e representa um movimento contrário à cultura da produtividade exacerbada, priorizando o minimalismo. ‘Catharsis’ tem uma forma de trazer a videoarte diferente de quando ela começou a ser usada, no início dos anos 60.

Tendo como foco a imersão e a conscientização do público, Steensen se liga à Slow Media ao apresentar a desaceleração do ritmo de produção como um fator que protege as florestas e a matéria-prima, resultando em um futuro no qual a natureza está intocada há centenas de anos, como representada na obra. Apesar da criação de um ambiente que não existe na vida real, pode ser feita de diversas maneiras, como no caso do projeto de Steensen, a videoarte foi o mecanismo artístico escolhido para expressar sua ideia, pois permite maior imersão do espectador no conjunto da obra, com a captação de imagens, a modelagem em 3D e a edição do vídeo com o som.

Para entender um pouco mais sobre a experiência proporcionada pela obra de Steensen, é importante compreender um pouco mais sobre o tipo de arte que ele escolheu utilizar. A videoarte surgiu em meados dos anos 60, na mesma época em que houve uma transição da pop arte para o minimalismo, se alimentando das mídias e do popular, e, assim como grande parte dos materiais usados na história da arte, quando algum tipo de mídia se populariza, o artista se sente provocado a experimentá-la. Por isso a Slow Media é tão ligada ao minimalismo.

Um dos grandes artistas que se destacaram na época é Nam June Paik, um videoartista sul-coreano conhecido por ter sido o criador dessa forma de arte. Ele questionava, por meio de suas instalações e vídeos, o crescimento da tecnologia e a forma com que nos comunicamos, já que na década de 60 a transição do pop arte para o minimalismo foi um tanto drástica. Surpreendentemente à frente de seu tempo, Paik até mesmo reinventou o conceito de observar uma arte por transmissão, quando, nos anos 90, seu projeto de videoarte foi transmitido por todo o território norte-americano.

Um de seus projetos mais famosos, o ‘TV Garden’ foi criado em 1974 e é uma instalação composta por inúmeras telas de tv que reproduzem o seu filme ‘Global Groove’ em meio a um local repleto de plantas, unindo a tecnologia, natureza e humanidade, deixando a interpretação livre para o público e humanidade.

TV Garden, 1974, Solomon R. Guggenheim Museum.
 Fonte: Acervo do Solomon R. Guggenheim Museum

“Muitas interpretações podem ser traçadas, incluindo a óbvia visão da conexão da natureza com a tecnologia, e o efeito que uma causa na outra. Além disso, temos os inúmeros conteúdos de mídia que podem ser considerados desordenados, guiando o público de volta para a selva. Uma coisa é evidente: ‘TV Garden’ foca em provocar os sentidos com a mistura de cores e de sons, cores que vêm do jardim tropical que serve de moldura para as TVs, e sons que emanam das instalações de TV junto com o farfalhar das folhas das várias plantas, onde as televisões estão alinhadas. Essa obra de arte agarra o olho e a mente em seu efeito de justaposição, levando a atenção do espectador a se deslocar da vida vegetal para os aparelhos de televisão e vice-versa.
Public Delivery Magazine (2021).

Instalações de vídeo costumam trazer outras mídias e linguagens em sua composição, como em ‘Catharsis’, obra na qual Steensen concilia a arte da modelagem 3D e da edição de áudio feita por McCorkle, guiando o espectador pelo seu próprio ponto de vista, muito além do que uma imagem estática. É essa ligação que o espectador tem com a obra, galeria e artista que define a imersão: a possibilidade de acompanhar o olhar do artista e entrar em uma realidade com sons, ambientes e movimentos criados por ele, aumentando as possibilidades, levando a imaginação do visitante a lugares, no caso do projeto de Steensen, futuros.

Uma das coisas que devemos fazer ao observarmos uma obra é nos questionarmos sobre a sua motivação: no caso de ‘Catharsis’, a ideia de trazer uma visão de um futuro se viu necessária devido a um presente, ou a um passado, que causa tensão no artista. De acordo com o Cambridge Dictionary, Catharsis, do grego “katharsis”, que significa purificação, limpeza ou esclarecimento. É a purificação e a liberação de tensões emocionais expressas por meio de tipos de arte como a música, a escrita, a pintura, a dança, entre outros, que nos ajuda a entender essas emoções e resulta em um processo e em uma sensação de renovação.

Para que essa liberação aconteça, é importante ver por outros pontos de vista, sendo esta expressa em novas experiências. E é aqui que a instalação de Steensen se conecta, pois muitos indivíduos associam a natureza às sensações de tranquilidade, de paz, e a momentos de descanso e de reconexão. Esses momentos são essenciais neste período em que o estresse e o acúmulo de tensões emocionais estão cada vez mais presentes na vida das pessoas, muitas vezes causadas por excesso de trabalho, consumo digital,poucos momentos de relações interpessoais e de conexão com o ambiente.

Steensen diz que procurou, com essa instalação, possibilitar às pessoas experienciar novas perspectivas. Isso acontece pois ‘Catharsis’ convida o espectador para uma imersão, a um momento de observação ativa através de detalhes e de camadas visuais e sonoras, possibilitando e incentivando a pessoa a usar alguns de seus cinco sentidos sensoriais e, por consequência, se conectar mais consigo mesma, levando a outros estados emocionais.

A água é um dos elementos mais importantes do mundo, pois compõe cerca de 70% do corpo humano e é essencial para a sobrevivência dos seres vivos, uma vez que dá vida, literalmente, ao meio ambiente em que vivem, oferecendo um lar para os peixes e nutrientes para as plantas, como na obra de Steensen.

Assim como o bater de asas das borboletas e o vento nas árvores, a água corrente muitas vezes é usada para representar a passagem de tempo, pois é uma força vital que mantém tudo em movimento: contorna e molda os obstáculos com o passar do tempo, como em um rio cheio de pedras que vão mudando de forma lentamente, uma analogia ótima sobre como lidar com a vida e com as emoções recorrentes. A água leva consigo o tempo e guia o espectador com calma.
Assim como a água, o som e a localização dos painéis de vídeo são essenciais para o projeto, os sons dos jardins dos terrenos das galerias, se misturam aos do local imaginário de Steensen, nos convocando a uma viagem junto ao seu olhar. E nas videoartes, assim como nas obras estáticas, apesar de todos os visitantes serem levados pelo mesmo caminho, no final, suas experiências ainda são individuais, pois cada um tem sua viagem, imerge em seus próprios pensamentos e é tocado de diferentes formas, conectados por um movimento como a música.



Jakob Kudsk Steensen, Catharsis, Serpentine Gallery, London
Fonte: CONNECT,BTS

Uma observação ativa é essencial para compreender melhor essa imersão e suas camadas: no recorte acima, retirado do vídeo da exposição, vemos que a disposição dos elementos leva o olhar do público a começar por baixo, onde tem-se, no primeiro plano, um rio e os peixes e, um pouco acima, é possível ver algumas flores coloridas, plantas e borboletas. Já no segundo plano, é possível ver as rochas e o tronco de árvore caído e, no terceiro, tem-se uma luz em meio às grandes árvores. Em seguida, o olhar retorna e é possível ver tudo isso refletido nas ondas da água. 

Além disso, o vídeo ainda possui o complemento do áudio e do movimento, com o balançar da vegetação, do vento nas folhas, da água corrente, etc. De acordo com Ahn et al (2020), Steensen pode estar dando ideia de que a Floresta Amazônica não é a única com ecossistemas vivos, pois uma “floresta” ou vegetação que fica perto de casa também pode ter uma infinidade de mundos. Por meio dessa observação guiada, percebe-se que ‘Catharsis’ apresenta diversas camadas, elementos e níveis de um ecossistema, incluindo elementos vivos, que não os seres humanos. É um mundo sem interferência humana, harmônico e auspicioso.

Clipagem de momentos da obra
Fonte: BANGTANTV, 2020

A exposição oferece um vislumbre de um mundo sem interferência, próspero. É governado pela água e pelo sol, assim como nós, mas não tem nenhuma das armadilhas de nosso estilo de vida mercantilizado. Ele simplesmente existe, uma entidade viva e respirante em si mesma; dentro dele, um mundo de vida de peixes a musgo, libélulas a neblina.”(AHN et al, 2020).



Para concluir, é importante relembrar qual a relação do BTS com a arte contemporânea e com a obra de Steensen em específico. Como destacado ao longo do texto, ‘Catharsis’ entrega diferentes pontos de vista por meio de uma nova experiência através de sons, movimentos e visuais – diferentes tipos de arte e, de modo semelhante, o BTS também entrega novas experiências através das suas músicas, melodias, vozes, letras, danças, MV’s, figurinos, performances e presença.

Deste modo, tanto BTS quanto ‘Catharsis’ entregam experiências únicas e envolventes por meio de suas diferentes formas de arte e de expressão, gerando assim novas conexões e perspectivas interpessoais, internas, e externas. São dois artistas tentando se expressar e transmitir ao mundo a sua visão sobre um assunto, guiando os ouvintes e espectadores por águas e melodias, juntos pelo caminho, mesmo que na frente as reflexões sejam diversas.


“O que foi significativo para nós é como essas obras de arte são concluídas através da experiência das pessoas que as vêem” Jung Kook, na Conferência de lançamento na Serpentine Galleries, em Londres (Fonte: CTV News, 2020).

Apresentada a nossa reflexão, perguntamos: Qual a sua interpretação sobre ‘Catharsis’? O que mais te chamou atenção? E, por fim, qual a sua forma de se comunicar e de se expressar?

Finalizamos assim o texto com a visão de RM: O nosso jeito de nos lembrarmos e de nos comunicarmos é fazendo música. Vocês podem ter outro. Nossa música está no nosso coração e, quando nos libertarmos de nós, estaremos sozinhos, mas também juntos.” — RM, no discurso no Dear Class of 2020.



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